DEBATE ACESO
Álvaro Dias agita pré-campanha com falas sobre Uern e Caern
Pré-candidato do PL fala em federalização da Universidade e privatização da Águas e Esgotos, provocando reações dos adversários políticos no RN.
Durante a intensificação da pré-campanha ao Governo do Estado, o pré-candidato Álvaro Dias, do PL, provocou forte debate político neste fim de semana, de 9 e 10 de maio de 2026, ao mencionar a análise de propostas para a federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e a privatização da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern). Questionado por veículos de imprensa em Mossoró, Dias defendeu a necessidade de estudos aprofundados para temas tão cruciais, gerando imediata reação de adversários e acendendo discussões sobre o futuro da educação pública e dos serviços essenciais que afetam diretamente a vida de milhares de potiguares.
Em sua passagem por Mossoró, Álvaro Dias explicou que as sugestões ainda estão sob escrutínio de uma equipe coordenada pela ex-secretária de Planejamento, Joana Guerra, e pelo economista Soares Júnior. Ele frisou que qualquer decisão final dependerá de estudos técnicos rigorosos. "Privatização são questões que precisam ser melhor estudadas, aprofundadas", declarou o ex-prefeito de Natal, indicando que diversas alternativas administrativas para o Estado estão em discussão.
Especificamente sobre a Caern, Álvaro Dias mencionou: "Como, por exemplo, a privatização da Caern, é uma das propostas que existem, que foi encaminhada, que está sendo discutida, debatida, mas precisa ser aprofundada." Ele ponderou que uma eventual privatização exigiria um aporte financeiro vultoso para reestruturar a companhia e aprimorar os serviços essenciais à população. Uma estimativa preliminar aponta para a necessidade de o governo investir cerca de R$ 10 bilhões. Esse investimento é fundamental para garantir que os cidadãos do Rio Grande do Norte recebam um serviço de saneamento básico e acesso à água de qualidade, um direito fundamental.
Quanto à Uern, o pré-candidato assegurou que também não há uma definição. "Essa questão da Uern também precisa de um aprofundamento. Todas essas questões não precisam de uma decisão imediata. Nós vamos aprofundar os estudos para posteriormente tomar essa decisão", afirmou. A federalização de uma universidade pública como a Uern poderia impactar diretamente sua autonomia, sua identidade regional e o acesso ao ensino superior para a juventude potiguar, que vê na instituição um pilar de desenvolvimento social e econômico.
Apesar da cautela, as declarações repercutiram intensamente entre os adversários políticos, levando Álvaro Dias a se manifestar novamente diante da controvérsia. Ele acusou os opositores de distorcerem suas palavras e negou categoricamente ter defendido a federalização da universidade estadual. "Eu tenho mais de 30 anos de vida pública, mas nunca vi algo tão sórdido, tão sujo, tão difícil como essa pré-campanha que nós estamos vendo", desabafou, alegando que houve uma tentativa deliberada de deturpar o conteúdo de sua entrevista. "Pessoas fazem armações, preparam armadilhas, usam da astúcia para tentar distorcer a realidade do que é falado", completou. Álvaro reforçou que seu foco é apresentar propostas administrativas concretas, não alimentar "fake news". "Vamos debater o Rio Grande do Norte, apresentar soluções e discutir o quadro dramático que o Estado enfrenta. O povo não suporta mais política arcaica, velha e ultrapassada", concluiu.
A reação dos adversários foi imediata e enfática. O pré-candidato do PT, Cadu Xavier, condenou veementemente a ideia de federalização da universidade estadual. "Federalização? Nunca! A Uern é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento econômico e social do nosso estado", declarou, sublinhando a importância vital da instituição para o futuro do Rio Grande do Norte.
De forma similar, Allyson Bezerra, pré-candidato do União Brasil, utilizou as redes sociais para defender a permanência da Uern sob gestão estadual e rechaçar qualquer debate sobre privatização ou mudança estrutural da instituição. "Não mexa com a Uern. A Uern não é problema, a Uern é solução para o Rio Grande do Norte", afirmou, com um tom de proteção à instituição. Ele reiterou que "a educação não está à venda e o futuro da nossa juventude não está à venda", enfatizando o caráter inalienável do ensino público.
Allyson Bezerra também ressaltou o papel histórico e social da Uern, que já formou mais de 60 mil profissionais e está presente em todas as regiões potiguares. Ele salientou que "mais de 80% dos professores das redes municipais e estaduais dos 167 municípios são formados pela Uern", evidenciando sua capilaridade e impacto. Para fortalecer sua defesa, citou exemplos de sucesso em outros estados, como o Ceará, com três universidades estaduais, e o Paraná, com sete. "Esses estados entenderam, lá atrás, que investir em educação e interiorização do ensino era investir no desenvolvimento", concluiu, defendendo o modelo de universidades estaduais como motor de progresso.
As declarações de Álvaro Dias e a subsequente tempestade política sublinham a crescente polarização e a importância de temas como educação e serviços públicos essenciais no cenário da pré-campanha ao Governo do Estado para 2026. O debate promete se intensificar, com os pré-candidatos buscando firmar suas posições sobre questões que tocam diretamente a vida e o futuro dos potiguares.
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