INFLAÇÃO DO COTIDIANO DISPARA

Alimentação em casa registra maior alta em 18 anos para maio, segundo IBGE

Prateleira de supermercado com frutas e legumes em alta.
Alimentos como batata e tomate puxaram a alta dos preços em maio.

Alimentos subiram 1,65% em maio. Desde 2008, acumulado para o mês é de 2,27%. Guerra no Oriente Médio e fatores climáticos influenciam disparada.

A alimentação em domicílio registrou a maior alta para o mês de maio em 18 anos, com um aumento de 1,65%. Desde 2008, o acumulado para este período é de 2,27%. A decisão de registrar essa forte alta foi impulsionada pelo grupo 'Alimentos e Bebidas', um dos principais componentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), impactando diretamente as refeições consumidas dentro dos lares. Isso importa pois a variação inflacionária afeta diretamente o poder de compra das famílias e a estabilidade econômica do país.

Os preços da batata-inglesa dispararam 44,69%, seguidos pelo tomate (20,62%) e pela cebola (16,80%). As carnes também apresentaram alta, com 1,39%. Estes aumentos puxaram o grupo Alimentação e Bebidas, tornando-o o principal responsável pela inflação registrada em maio e contribuindo para que o IPCA acumulado em 12 meses superasse o teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

O grupo de alimentação atingiu o maior nível para o mês de maio em 15 anos, de acordo com o IBGE. A sazonalidade, com a entressafra no Brasil durante o quinto mês do ano, influencia a oferta e, consequentemente, os preços de muitos itens. Além disso, a guerra no Oriente Médio impactou o custo de insumos, afetando a produção e distribuição de alimentos no território brasileiro. Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o efeito dos fretes nos preços dos alimentos é evidente.

No caso específico do tomate, o frio retardou o amadurecimento do fruto, enquanto a passagem da safra das águas para o período seco diminuiu a disponibilidade da batata-inglesa. Essas condições climáticas, combinadas com a situação logística global, resultaram nas expressivas altas de 20,62% e 44,69%, respectivamente.

Este cenário reforça a pressão sobre o orçamento das famílias. Caso a categoria de Alimentos e Bebidas não tivesse sido considerada, a inflação oficial do país em maio teria sido de 0,37%, evidenciando o peso significativo do grupo no índice geral, conforme destacado pelo IBGE. A recuperação dos preços da carne bovina também tem contribuído para essa tendência.

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