PL NO NORDESTE

Aliados do PL no Nordeste hesitam em apoiar candidatura de Flávio Bolsonaro

Comício político com a presença de Flávio Bolsonaro.
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldade para conseguir engajar lideranças do Nordeste em seu favor.

Lideranças regionais temem custo político de associação com o senador, reflexo da votação de Lula em 2022. Estratégias variam entre apoio explícito, distanciamento e foco em eleições locais.

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta um obstáculo considerável para angariar apoio explícito de lideranças políticas no Nordeste. Apesar das alianças estratégicas firmadas pelo PL com partidos e políticos na região, o senador encontra dificuldade em converter aliados em verdadeiros cabos eleitorais.

Especialistas em ciência política consultados pelo g1 apontam que pré-candidatos a governos estaduais no Nordeste relutam em assumir compromissos diretos com a campanha de Bolsonaro devido ao eleitorado da região. Em 2022, Lula (PT) obteve expressivas vitórias em todos os estados nordestinos, com 69,3% dos votos totais na área, evidenciando a baixa aderência de candidaturas bolsonaristas.

Marcos Paulo Campos, do Observatório da Política do Nordeste, explica que a associação com um candidato bolsonarista na região representa um risco político. "Essas alianças do PL não estão garantindo o prestígio dos seus aliados em favor do Flávio Bolsonaro. Isso significa que eles não vão se empenhar na campanha nacional. Não vão buscar identificação. Por isso, há efetivas restrições políticas ao crescimento da candidatura bolsonarista no Nordeste”, avalia.

Em âmbito nacional, as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno colocam o petista com 39% e Flávio Bolsonaro com 29%. No Nordeste, essa diferença se acentua, com Lula apresentando 54% das intenções contra 25% do senador. No segundo turno, o cenário nacional aponta 44% para Lula e 38% para Flávio, enquanto no Nordeste o petista chega a 61% frente a 27% do concorrente do PL.

PSDB, Ciro Gomes e o desafio no Ceará

O Ceará exemplifica as dificuldades de consolidação no Nordeste. Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo, lidera pesquisas em uma aliança com o PL e União Brasil. Questionado sobre apoiar Flávio Bolsonaro, Ciro respondeu evasivamente, destacando a autonomia partidária. Atualmente, defende que os partidos mantenham liberdade de escolha na disputa presidencial e apoia a candidatura de Aécio Neves.

A articulação para o apoio do PL a Ciro foi marcada por divergências internas na família Bolsonaro, com Michelle Bolsonaro criticando o tucano publicamente. A chapa de Ciro para o governo do Ceará prevê Roberto Cláudio (União Brasil) como vice e, para o Senado, Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL). André Fernandes (PL), pai do deputado André Fernandes, defende que a oposição ao PT por parte de Ciro pode beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro no estado, com Alcides Fernandes atuando como palanque.

Monalisa Torres, cientista política, considera o grupo competitivo, mas avalia que a presença de Flávio Bolsonaro pode não ser vantajosa para Ciro Gomes. Marcos Paulo Campos destaca que, embora a direita esteja mais organizada no Nordeste, o PL optou por alianças amplas, abrindo mão de protagonismo e aceitando a submissão em alguns casos, em uma estratégia comparada ao pragmatismo do PT em 2018.

Raquel Lyra em Pernambuco e outros estados

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD), reeleita com apoio do PL, tem mantido distância estratégica da legenda. Apesar de ter recebido apoio de nomes ligados ao bolsonarismo em 2022, ela tem buscado aproximação com o presidente Lula, buscando parcerias independentes de influências políticas específicas. Priscila Lapa, cientista política, observa que a falta de espaço para lideranças do PL na gestão de Lyra e divisões internas enfraqueceram o partido no estado, que foca agora em eleições proporcionais.

Na Paraíba, o PL apresenta um palanque mais estruturado com a pré-candidatura do senador Efraim Filho a governador e do ex-ministro Marcelo Queiroga ao Senado. A filiação de Efraim ao PL contou com a presença de Flávio Bolsonaro, sinalizando a tentativa de nacionalizar a disputa estadual. Fábio Machado, cientista político, contudo, avalia que o ambiente eleitoral paraibano permanece favorável a Lula, com aliados priorizando eleições estaduais e mantendo uma aproximação controlada com a campanha presidencial.

Os estados do Piauí, Maranhão e Bahia apresentam cenários menos promissores para o PL. No Piauí, Flávio Bolsonaro terá dificuldades em encontrar um aliado competitivo, diante da forte posição do governador Rafael Fonteles (PT). A proximidade de políticos locais com investigações como a do Banco Master também gera cautela.

Na Bahia, o PL integra a chapa de ACM Neto (União Brasil), mas Neto sinalizou apoio a Ronaldo Caiado (PSD), comprometendo o palanque de Flávio Bolsonaro no estado, segundo Cláudio André de Sousa, cientista político. João Roma (PL), pré-candidato ao Senado, garante, porém, que o apoio a Flávio será forte.

No Maranhão, o partido não possui um palanque forte para a campanha bolsonarista, embora o histórico de eleição de deputados de direita seja relevante. Em Sergipe e Alagoas, o PL perdeu lideranças importantes, enfraquecendo sua estrutura regional e beneficiando grupos ligados ao atual governo. No Rio Grande do Norte, o cenário é mais positivo com a filiação do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias ao PL, que busca consolidar alianças para a disputa estadual, com foco em temas locais apesar da coordenação nacional da campanha de Flávio Bolsonaro.

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