INSTITUIÇÕES EM CHOQUE

Alerj rebate declarações do Presidente Lula sobre milícias no Rio de Janeiro

Fachada da Sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) exige respeito após fala de Luiz Inácio Lula da Silva, que associou indicações políticas à milícia.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) se manifestou neste sábado, 23 de maio de 2026, após declarações do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em agenda na capital fluminense, o Presidente afirmou que, caso a Alerj fosse responsável pela indicação do próximo ocupante do executivo local, o escolhido estaria ligado à milícia. A Assembleia, em nota oficial, expressou sua indignação e exigiu reciprocidade em respeito entre as autoridades do país.

A nota da Alerj ressalta que a instituição respeita as demais esferas de poder da República e espera o mesmo tratamento. "É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito", declarou o comunicado, defendendo a integridade de seus membros e a importância do Legislativo para a democracia estadual.

A Assembleia Legislativa também aproveitou a oportunidade para direcionar parte da responsabilidade pelos desafios históricos de segurança pública no Rio de Janeiro ao governo federal. A nota aponta que muitos desses problemas estão relacionados à "ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país". O comunicado enfatiza que o momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade, e não "declarações que estimulem divisão política ou pré-julguem instituições".

A fala do Presidente Lula ocorreu durante a inauguração das novas instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Em seu discurso, o petista pediu que o Governador Couto tome providências contra a influência de milicianos no estado. "Se a Assembleia (Alerj) tivesse que indicar (um governador), ia vir um miliciano. Então deixe eu lhe falar uma coisa: aproveite. Essas coisas acontecem porque tem Deus. Aproveite esses 10 meses que você tem e faça o que muita gente não fez em dez anos: ajude a consertar esse estado. Não é possível que esse estado poderoso, bonito, seja governado por milicianos. O povo do Rio não merece isso", disse o Presidente.

A declaração presidencial gerou forte repercussão, colocando em evidência as tensões entre os poderes e a complexa situação da segurança pública no Rio de Janeiro, um estado marcado por desafios persistentes e que clama por soluções efetivas e união entre as esferas de governo.

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