NEUTRALIDADE DECISIVA

Alcolumbre recusa reunião com Jorge Messias e eleva tensão sobre indicação ao Supremo

Jorge Messias e David Alcolumbre em encontro no Senado, discutindo indicações para o Supremo Tribunal Federal
Jorge Messias e David Alcolumbre — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo; Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo

Aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal enfrenta cenário apertado, com Davi Alcolumbre se mantendo neutro e governo Lula buscando reverter projeções de votos em 28 de abril de 2026.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recusa-se a receber Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, comunicada nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, por meio de relatos de aliados, visa manter a neutralidade de Alcolumbre na articulação política e impedir que um encontro seja interpretado como sinal de apoio. Essa postura estratégica é crucial, pois define o tom para a aprovação do futuro ministro do Supremo e impacta diretamente a composição da mais alta corte do país.

Nos bastidores do Congresso, a avaliação predominante é que a neutralidade de Alcolumbre se torna um fator determinante para o resultado da votação no plenário. O presidente do Senado já havia alertado o presidente Lula sobre a resistência que Messias enfrentaria na Casa, e sua posição agora é aguardada com expectativa, especialmente pelo grupo de 12 a 15 senadores indecisos que compõem o chamado “centrão”, próximo a ele.

Governo vê cenário apertado para aprovação

O governo trabalha com um cenário cada vez mais apertado no Senado. As projeções mais recentes indicam que 25 senadores apoiam Messias, enquanto 35 se declaram contrários à indicação. Os 21 senadores restantes permanecem indecisos, com um peso significativo do grupo alinhado a Alcolumbre. Embora a expectativa inicial fosse de 46 votos favoráveis, esse número caiu para cerca de 44, sinalizando uma semana de desafios para a articulação governista. A incerteza paira sobre a confirmação de um nome que ocupará uma cadeira vital no Supremo, impactando a estabilidade institucional e o futuro de decisões cruciais para o país.

Negociação de emendas e a sombra da desconfiança

Em uma tentativa de reverter o quadro desfavorável, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), atua intensamente nos bastidores. Ele negocia o empenho de emendas parlamentares, um mecanismo onde o governo separa o montante para pagamento, comprometendo-se a liberar os recursos como forma de atrair votos. Contudo, essa estratégia enfrenta resistência. Senadores demonstram desconfiança, lembrando a aprovação de Flávio Dino para o STF, quando, segundo relatos, o governo empenhou emendas, mas não honrou os pagamentos prometidos.

Diante desse histórico, parlamentares condicionam novos acordos ao aval de Davi Alcolumbre, percebendo-o como um “fiador” político indispensável para garantir o cumprimento dos compromissos. A credibilidade do processo e a confiança entre os poderes estão em jogo, em um momento decisivo para a governabilidade.

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