FUTURO DO TRABALHO
Alcolumbre garante votação de PEC da jornada no Senado
Paulinho da Força anuncia compromisso de votar a 6x1 até 15 de junho, se a Câmara aprovar até fim de maio.
O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) anunciou nesta quinta-feira, 14/05/2026, que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), garantiu a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim do modelo de jornada de trabalho "6x1". A promessa, condicionada à aprovação do texto pela Câmara dos Deputados até a última semana de maio, estabelece o dia 15 de junho como prazo final para a conclusão do tema no Senado, marcando um passo decisivo na busca por direitos mais justos para os trabalhadores brasileiros.
A declaração de Paulinho da Força ocorreu durante uma audiência pública da comissão especial que discute a redução da jornada, realizada no Palácio do Trabalhador, em São Paulo. O deputado, reconhecido por sua atuação como articulador entre o governo e a oposição, enfatizou a importância do engajamento popular. "As galerias do Congresso estarão abertas aos trabalhadores no dia 27. Conversei com Alcolumbre, que garantiu que, se a votação ocorrer na semana do dia 27 na Câmara, ele pautaria na semana seguinte para aprovar até 15 de junho", detalhou Paulinho.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que também esteve presente, convocou trabalhadores e sindicatos a uma grande mobilização para pressionar pela aprovação da PEC. Marinho alertou que, apesar do clima favorável, há resistência à redução da jornada. "Nos dias 26 e 27 as galerias do Congresso têm que estar lotadas, Brasília tem que estar tomada. Porque tem gente contra. Precisamos de mobilização. O governo sozinho não resolve as coisas. Precisamos pensar no futuro do país. Se tivermos consciência coletiva, teremos resultado", pontuou o ministro.
A PEC em debate visa a crucial redução da jornada de trabalho sem qualquer prejuízo salarial, uma medida que representa um salto na dignidade e qualidade de vida de milhões de brasileiros. A perspectiva de menos horas de dedicação profissional e mais tempo para a vida pessoal, família e descanso é um anseio histórico do movimento sindical e um reconhecimento do valor intrínseco do tempo do trabalhador.
O relator do texto na comissão especial, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentará seu parecer em 20 de maio. A votação da PEC está agendada para 26 de maio na comissão especial. Em seguida, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), espera levar a proposta ao plenário da Câmara.
Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão, reiterou o chamado de Marinho, destacando a necessidade de pressão sindical para "evitar surpresas". "Por mais que o clima esteja bom para aprovar, precisamos fazer pressão. Não podemos ter surpresa. O movimento sindical será fundamental nesses dois dias para garantir essa grande vitória. Durante o governo anterior, o trabalhador perdeu muito e o governo Lula agora está criando condições para avanços", afirmou Santana.
A comissão especial analisa duas propostas em conjunto: uma de 2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e outra apresentada no ano passado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Ambas convergem na redução da jornada sem perdas salariais. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara já aprovou as propostas em 22 de abril, abrindo caminho para o debate do mérito na Casa. Atualmente, os deputados estudam aspectos como um possível período de transição e incentivos ao setor produtivo para mitigar impactos econômicos da medida.
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