IMPASSE NO STF

Alcolumbre garante que Senado adia sabatina de nome para o STF

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado Davi Alcolumbre
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado Davi Alcolumbre — Foto: MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Após derrota por 42 a 34, Davi Alcolumbre promete não pautar indicação antes das eleições. Governo Lula é criticado por 'interesses particulares'.

Uma significativa derrota governista no Senado Federal levou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a um compromisso político crucial na quarta-feira, 29 de abril de 2026. Em conversas reservadas com senadores da oposição, Alcolumbre garantiu que não pautará nenhuma indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) antes das próximas eleições. A decisão, tomada após o governo perder uma votação por 42 a 34, reflete a percepção de um "não há clima" para novas sabatinas e sinaliza que a escolha para uma das mais altas cadeiras da justiça brasileira aguardará a definição do próximo presidente. Este impasse impacta diretamente a estabilidade institucional e a percepção pública sobre a priorização de interesses políticos em detrimento da celeridade na composição de um tribunal fundamental para a democracia.

Um senador do PL confirmou que Alcolumbre assumiu o compromisso com a oposição e pretende cumpri-lo.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) corroborou a visão de que o ambiente político não favorece uma nova indicação neste momento. "A derrota não foi do Jorge Messias, foi do governo Lula, que decidiu colocar seus interesses particulares acima de tudo na indicação para o Supremo", declarou a senadora, reforçando a crítica à estratégia governamental.

Pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flavio Bolsonaro (RJ) defendeu a ideia de que a indicação para o STF deve ser prerrogativa de quem for eleito o próximo presidente. Ele está em empate técnico com o presidente Lula nas pesquisas de intenção de voto.

Assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, colhidos de surpresa pela derrota no Senado, afirmam que ele ainda não avaliou os próximos passos. A expectativa governista não incluía tal revés. Contudo, esses mesmos assessores não recomendam ceder às pressões, especialmente as de Alcolumbre, que sempre defendeu um nome específico para a vaga no Supremo.

Nos bastidores, após a votação, senadores governistas chegaram a defender a possibilidade de indicar uma mulher negra para a vaga. Entretanto, um aliado ponderou que essa mudança de postura, vinda apenas após uma derrota histórica, poderia ser interpretada como oportunismo, admitindo que o presidente Lula só consideraria essa opção sob coação política. A vacância na Suprema Corte, que deveria ser um tema de consenso e visão de Estado, transformou-se em um palco de disputas políticas acirradas, gerando incerteza sobre o futuro da mais alta instância judicial do país.

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