JUROS ALTOS
Alckmin critica Selic e lança Novo Desenrola
Vice-presidente alerta para impacto da taxa de 14,50% ao ano na economia. Programa inicia em 05 de maio de 2026 com descontos de até 90%.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) criticou a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, como "absurdamente alta" nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, ao comentar o lançamento do Novo Desenrola Brasil. No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros apresentaram o programa no Palácio do Planalto, em Brasília, com o objetivo de aliviar o endividamento recorde da população e impulsionar a economia. A medida surge em um cenário onde o Comitê de Política Monetária (Copom) já havia reduzido a Selic para 14,50% ao ano na semana passada, uma decisão que, embora esperada, ainda mantém os juros em patamares que sufocam o poder de compra e a capacidade de investimento dos brasileiros.
Alckmin também sugeriu que o Brasil deveria avaliar o modelo do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, para o cálculo da taxa básica de juros. "Esse é um grande problema que nós temos, essa taxa de juros absurdamente alta. Eu até mencionei há pouco que nós deveríamos verificar o modelo do Banco Central americano, o Fed, Federal Reserve, que exclui na análise da inflação para definição da taxa de juros, exclui energia, exclui alimentação, é muito mais focada. Então, é uma taxa de juros absurda. Ela está em queda, é importante destacar", declarou o vice-presidente.
Na semana passada, o Copom decidiu reduzir a Selic para 14,50% ao ano, mantendo o ciclo de cortes após baixar a taxa de 14,75% na reunião anterior. Antes disso, a Selic permaneceu em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas. O movimento já era esperado pelo mercado financeiro, que observava a comunicação do comitê indicando o início da flexibilização monetária. Analistas estimam que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano, sem expectativa de novas altas.
O pacote do governo, batizado de Novo Desenrola Brasil, foi lançado em um contexto de alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Dados recentes do Banco Central (BC) mostram que a parcela da renda comprometida com dívidas segue elevada, pressionada principalmente pelos juros altos em modalidades como cartão de crédito e cheque especial. Esta realidade limita o consumo das famílias e dificulta uma retomada mais consistente da atividade econômica, impactando diretamente a dignidade e o bem-estar de milhões.
O novo programa terá duração de 90 dias e começa a operar nesta terça-feira, 05 de maio de 2026. O público-alvo são pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. Os descontos nas renegociações variam de 30% a 90%, com taxa média estimada em 65%, segundo o governo federal. Além disso, haverá a limpeza do nome de quem tem dívidas de até R$ 100, um passo crucial para resgatar a cidadania financeira de muitos.
O Novo Desenrola Brasil prevê que o Fundo de Garantia de Operações (FGO) assegure crédito novo para que famílias renegociem dívidas atrasadas. Também está prevista a utilização de recursos não resgatados disponíveis na tesouraria do sistema financeiro (SVR), que pode mobilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões. O programa ainda inclui a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com regras mais restritivas. Pelas diretrizes anunciadas, os recursos só poderão ser utilizados para a quitação total das dívidas, não sendo permitidos pagamentos parciais ou uso livre pelo trabalhador, focando na recuperação completa da saúde financeira.
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