Retorno financeiro
Agricultor tem esperança de exploração após confirmação de petróleo em seu sítio no Ceará
Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou a descoberta na propriedade de Sidrônio Moreira, que agora aguarda avaliação técnica sobre viabilidade de exploração comercial e possível compensação financeira.
A descoberta de petróleo na propriedade de um agricultor no interior do Ceará trouxe esperança de exploração comercial para a família. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou na quarta-feira, 20 de maio de 2026, que o líquido encontrado em novembro de 2024 pelo agricultor Sidrônio Moreira, em seu sítio na zona rural de Tabuleiro do Norte, é petróleo. A confirmação pela ANP encerra a fase de testes iniciais e abre caminho para a avaliação técnica do potencial da jazida.
A substância foi encontrada quando o agricultor perfurava um poço em busca de água para sua propriedade, localizada próxima à Bacia Potiguar, uma região com histórico de exploração de petróleo em terra. Após a confirmação, a ANP informou à família que iniciará a avaliação do tamanho das reservas e da viabilidade de extração comercial.
Saullo Moreira, filho de Sidrônio, expressou o desejo da família por um retorno financeiro futuro, compreendendo, contudo, que o processo é longo. "Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos e movimentações relacionadas à descoberta. Nossa esperança é que, se tudo avançar positivamente no futuro, possamos ter algum retorno que nos ajude financeiramente", afirmou Saullo.
A Constituição Federal estabelece que os recursos minerais, incluindo o petróleo, pertencem à União. Portanto, Sidrônio Moreira não terá a posse direta do petróleo. No entanto, a legislação prevê que proprietários de terras onde ocorre produção de petróleo podem receber uma compensação financeira, com um percentual sobre a exploração, caso a área seja considerada economicamente viável para extração.
A ANP informou que não há prazo definido para a conclusão da avaliação técnica. O processo pode envolver diversas etapas, incluindo análises internas, pareceres de outros órgãos como secretarias de meio ambiente e ministérios, além de possíveis estudos geológicos e econômicos. Empresas interessadas na exploração ainda analisarão a rentabilidade da operação.
A descoberta ocorreu de forma acidental, quando o agricultor, que não possui água encanada em casa, perfurava o solo a cerca de 40 metros de profundidade. A substância, descrita como um líquido preto, denso e viscoso com cheiro de combustível, foi inicialmente confundida com água. Testes preliminares realizados pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE) já indicavam semelhanças com petróleo de jazidas da região.
A ANP orientou que a área seja isolada para evitar contato com o material, devido aos riscos ambientais potenciais. A agência também enviou o resultado dos testes para a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semcae) para avaliação de possíveis medidas ambientais.
O processo completo, desde a descoberta até a potencial exploração comercial, pode levar anos, envolvendo a delimitação de blocos exploratórios, leilões para empresas, obtenção de licenças ambientais e a instalação da operação. O engenheiro Adriano Lima, que auxiliou a família no contato com a ANP, ressaltou que a viabilidade econômica da exploração depende de fatores como a quantidade e a qualidade do petróleo, além dos custos operacionais.
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