TERRAS RARAS EM RISCO
Agência Nacional de Mineração teme que bloqueios orçamentários prejudiquem potencial de terras raras do Brasil
Apesar do aumento expressivo de pedidos de pesquisa desde 2023, corte de R$ 22,7 milhões na ANM pode atrasar exploração e comprometer acordos internacionais.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) alertou para o risco de prejuízos no desenvolvimento de projetos de terras raras devido a um bloqueio orçamentário de R$ 22,7 milhões. A decisão, comunicada pelo diretor-presidente Mauro Sousa nesta semana, impacta um setor estratégico para o Brasil, que viu um crescimento de quase 300% nos pedidos de autorização de pesquisa para esses minerais desde 2023. A falta de recursos pode comprometer a capacidade do país de cumprir acordos internacionais e de explorar seu vasto potencial geológico, considerado um dos maiores do mundo, ficando atrás apenas da China.
O Brasil detém reservas significativas de terras raras, minerais essenciais para a produção de tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, baterias de carros elétricos, equipamentos médicos e dispositivos eletrônicos. Sua importância estratégica se reflete em disputas geopolíticas e negociações diplomáticas globais, colocando o país em uma posição privilegiada na transição energética e na indústria de alta tecnologia.
A percepção dessa relevância impulsionou um aumento expressivo nos requerimentos de pesquisa. Entre 2023 e junho de 2026, foram registrados aproximadamente 3 mil pedidos, um salto considerável em relação aos 745 requerimentos entre 1975 e 2022. O requerimento de pesquisa é o primeiro passo de um longo processo que culmina na concessão de lavra, autorizando a exploração comercial de uma jazida.
Contudo, a restrição orçamentária imposta à ANM levanta preocupações. Segundo Mauro Sousa, a agência terá de reavaliar prioridades em um cenário de recursos já limitados. "Nem todas as atividades serão desenvolvidas no tempo necessário e adequado", declarou Sousa, enfatizando que a unidade responsável por minerais críticos e estratégicos opera com uma equipe reduzida de quatro servidores.
O diretor-presidente da ANM destacou a contradição entre os objetivos estratégicos do Brasil de ampliar sua participação na cadeia global de minerais raros e a redução de verbas. "Nós criamos compromissos internacionais e precisamos ter uma estrutura institucional capaz de dar as respostas adequadas. Quando isso acontece, perdemos a capacidade de cumprir aquilo com que o Estado brasileiro está se comprometendo", argumentou. A limitação orçamentária pode, ainda, afetar a fiscalização de barragens e pilhas de mineração, além de retardar a análise de processos de exploração econômica de jazidas, impactando investimentos e a entrada de novos empreendimentos.

A restrição de recursos também afeta etapas cruciais para a análise de processos minerários. Vistorias de campo, essenciais para a aprovação de Relatórios Finais de Pesquisa e de Planos de Aproveitamento Econômico (PAEs), podem ser inviabilizadas. Sem essas verificações presenciais, a tramitação de processos tende a se tornar mais lenta, o que pode retardar investimentos e a operação de novos empreendimentos.
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