ALERTA CLIMÁTICO
Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos confirma El Niño com potencial forte; RS em alerta
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira, 11/06/2026, a formação do El Niño. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, apresenta 63% de probabilidade de se tornar muito forte, com potencial para figurar entre os maiores registrados desde 1950. O Rio Grande do Sul, ainda se recuperando das enchentes devastadoras de 2024, reacende o estado de atenção para chuvas extremas e cheias, com especialistas reforçando a urgência de medidas preventivas, especialmente na capital.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira, 11/06/2026, a formação do fenômeno climático El Niño. O evento ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial registram temperaturas mais elevadas que o padrão. A agência norte-americana indicou uma probabilidade de 63% de que o El Niño atinja uma intensidade muito forte, podendo se classificar entre os mais significativos desde 1950. Essa consolidação do cenário reacende, no Rio Grande do Sul, o alerta para a possibilidade de chuvas extremas e cheias, impactando a dignidade e segurança dos cidadãos que ainda lidam com as consequências da tragédia climática de 2024.
O desenvolvimento do fenômeno no primeiro semestre de 2026 era esperado, após meses de aquecimento gradual no Pacífico. Em maio, a probabilidade de sua formação já apontava para 82%. O estado gaúcho ainda se recupera dos eventos de 2024, quando a combinação de um El Niño iniciado em 2023, frentes frias e o aquecimento do Oceano Atlântico levou ao colapso do sistema de proteção de Porto Alegre e a um pico de 5,37 metros no nível do Guaíba. Essa catástrofe resultou em mais de 180 mortes e afetou quase 95% dos municípios gaúchos, evidenciando a fragilidade da infraestrutura diante de eventos climáticos extremos.
O El Niño e seu oposto, o La Niña, são fases do fenômeno climático ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial em 0,5°C ou mais, alterando a circulação de ventos e a distribuição de calor e umidade globalmente. Seus efeitos práticos no Brasil são distintos: enquanto o Norte e Nordeste tendem a sofrer com secas, a Região Sul experimenta um aumento expressivo no volume e na frequência das chuvas.
Um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, publicado em 2025 na revista científica Communications Earth & Environment, analisou 45 anos de dados de vazão de rios na América do Sul e reforçou a relação entre o El Niño e eventos extremos no Sul do Brasil. A pesquisa concluiu que o fenômeno aumenta a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, que abrange parte do território gaúcho.
A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, avalia que a intensidade do El Niño atual é comparável à de 2023, com efeitos locais previstos a partir do inverno e pico de risco na primavera. Para Rodrigo Paiva, pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, embora seja difícil prever uma cheia de magnitude igual à de 2024, o El Niño exige a aceleração de medidas preventivas. Ele destaca a necessidade de investimentos contínuos na Defesa Civil, em sistemas de previsão e na reconstrução de pontes e estradas com maior resiliência.
Paiva alerta que a principal vulnerabilidade na capital persiste. O sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, composto pelo Muro da Mauá, diques e casas de bombas, sofreu danos severos e ainda não está totalmente recuperado. Apresentações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) indicam que a maioria das falhas segue em fase de projeto ou com obras em andamento. Caso ocorra uma cheia de grande magnitude, partes da cidade correm o risco de alagar novamente. A preparação, segundo o especialista, deve ser contínua e transcender a memória recente das tragédias, transformando-se em planos permanentes para garantir a segurança e a dignidade dos cidadãos.
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