FUTURO SUSTENTÁVEL
Aditivo reduz metano na pecuária: Esalq/USP, Minerva Foods e Rumin8 anunciam avanço climático
Pesquisa da Esalq/USP, Minerva Foods e Rumin8 demonstra corte de 50,4% nas emissões de CH4 em gado Nelore.
Pesquisadores da Esalq/USP, em colaboração com o grupo frigorífico Minerva Foods e a empresa de tecnologia climática Rumin8, anunciaram nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, resultados revolucionários que podem transformar a pecuária global. Um estudo pioneiro revelou que o uso de um aditivo específico na alimentação de gado Nelore consegue reduzir as emissões de metano em impressionantes 50,4%, além de aumentar em 5% a eficiência de conversão alimentar dos animais. Este avanço representa um passo gigante na luta contra o aquecimento global, oferecendo uma solução tangível para um dos maiores desafios ambientais do setor agropecuário e para a dignidade de um futuro mais verde para a sociedade.
A redução das emissões de metano, um potente gás de efeito estufa gerado principalmente pela fermentação entérica no sistema digestório dos bovinos, é crucial para mitigar as mudanças climáticas. Dados do Observatório do Clima ressaltam a urgência: o metano (CH4), embora tenha uma vida útil mais curta na atmosfera (entre 10 e 20 anos), possui um potencial de aquecimento 28 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2) em um período de cem anos. Essa nova tecnologia oferece esperança para que o Brasil, detentor de um dos maiores rebanhos bovinos comerciais do mundo, lidere uma transformação sustentável.
O Estudo Detalhado
Durante 120 dias, cientistas monitoraram bovinos da raça Nelore em um sistema de confinamento, característico da engorda intensiva. O experimento foi dividido em duas fases rigorosas:
Primeiramente, 80 bovinos foram alojados individualmente em baias. Isso permitiu uma medição precisa tanto do consumo de ração quanto das emissões de metano. Metade deles recebeu a dieta padrão, enquanto a outra metade teve o aditivo suplementado em sua alimentação.
Em uma segunda fase, para simular condições comerciais reais em grandes confinamentos brasileiros, um grupo maior de 200 machos Nelore recebeu o aditivo em baias coletivas.
A dieta fornecida aos animais replicava o padrão de engorda em confinamento no Brasil: 12% de volumoso e 88% de concentrado, com milho moído como ingrediente principal. Pesquisadores monitoraram diariamente o consumo de ração e avaliaram o desempenho produtivo através de medições de peso vivo ao longo de todo o período do estudo.
Resultados Promissores e Impacto Ambiental
Os animais que receberam o aditivo na ração apresentaram um ganho notável de 5% na eficiência de conversão alimentar, um indicador vital para a produtividade pecuária. Mais impactante, a intensidade de metano por cada quilo de peso vivo diminuiu de 77,2 g/kg para 39,6 g/kg nos grupos comparados. Esses números se traduzem em uma projeção significativa: estima-se que cerca de 29 toneladas de CO₂ equivalente deixaram de ser emitidas durante a condução deste estudo.
Para David Messina, CEO da Rumin8, este é um marco estratégico. "Este é um passo importante para escalar novas tecnologias de redução de gás metano em um dos maiores mercados de produção de carne bovina do mundo", afirma Messina. Ele complementa que "Os resultados do estudo farão parte do nosso pacote de dados à medida que avançamos para a comercialização no Brasil, que detém o maior rebanho bovino comercial do mundo." A validação desses resultados em larga escala abre caminho para a adoção de práticas mais sustentáveis, protegendo o planeta e garantindo a vitalidade do agronegócio para as próximas gerações.
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