SEGURANÇA PÚBLICA EM FOCO
Acre resolve menos da metade dos homicídios registrados entre 2020 e 2023
Estudo do Instituto Sou da Paz revela que 47% dos crimes contra a vida foram esclarecidos no estado, índice que supera a média nacional de 40%.
A taxa de esclarecimento de crimes contra a vida no Acre evidencia desafios persistentes para a segurança pública estadual. De acordo com um levantamento do Instituto Sou da Paz, divulgado em 08 de julho de 2026, menos de cinco a cada 10 homicídios registrados entre 2020 e 2023 tiveram suspeitos identificados, totalizando uma resolução de 47% dos casos. Esta análise, realizada com base em dados de Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça, reflete a complexidade do trabalho investigativo necessário para garantir a justiça às famílias das vítimas.
Embora o estado ocupe a 11ª posição no ranking nacional, o índice registrado está acima da média brasileira, que foi de 40%. Para fins técnicos, um crime é considerado solucionado quando a investigação identifica os suspeitos e consolida as provas necessárias. A partir desse ponto, o Ministério Público (MP-AC) pode oferecer a denúncia à Justiça, sendo que a palavra final sobre a culpabilidade cabe exclusivamente ao Judiciário ao término do processo legal.
A eficácia na elucidação dos crimes é fundamental para combater a impunidade e restaurar a dignidade das famílias que aguardam respostas, muitas vezes presas em longos processos de luto. O levantamento, que corrobora dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, destaca que o Acre contabilizou 214 mortes violentas intencionais em 2023. Além disso, 63% dos homicídios naquele ano foram cometidos com arma de fogo, posicionando o estado na 19ª colocação no cenário brasileiro.
O cenário para o enfrentamento à violência contra a mulher é igualmente preocupante. Com uma taxa de 2,3 mulheres mortas por 100 mil habitantes em 2023, o Acre figura entre os estados com os maiores índices de feminicídio do país, empatado com Tocantins e superado apenas por Mato Grosso e Rondônia. A média nacional, em comparação, foi de 1,4 caso para cada 100 mil habitantes.
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela apuração desses crimes em Rio Branco, foi procurada para comentar as metodologias de investigação e os obstáculos enfrentados pelos agentes, mas não houve retorno até a publicação desta matéria em 11 de julho de 2026. A continuidade da impunidade, exemplificada por casos como o de Yara Paulino da Silva, morta em março de 2025, ressalta a urgência de fortalecer os mecanismos de elucidação policial para que o ciclo da violência seja interrompido.
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