MERCADO GLOBAL

Acordo Mercosul-UE projeta ganhos de US$ 1 bilhão para o Brasil em um ano

Acordo Mercosul-UE projeta ganhos de US$ 1 bilhão para o Brasil em um ano

A ApexBrasil estima expressiva ampliação das exportações nacionais para a União Europeia, com 543 produtos recebendo tarifa zero ou reduzida a partir de 1º de maio de 2026.

A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) projeta que o Brasil pode injetar até US$ 1 bilhão em suas exportações para a UE (União Europeia) nos próximos 12 meses. Essa estimativa surge com a entrada em vigor comercial do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu, que se efetiva nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026. A decisão abre um mercado com tarifas zeradas ou reduzidas para 543 produtos, prometendo um impacto significativo na economia nacional e novas oportunidades para empresas e produtores brasileiros.

Este avanço representa uma porta aberta para milhares de empresas brasileiras – de grandes indústrias a pequenos produtores rurais e cooperativas – que agora terão acesso facilitado a um dos maiores mercados consumidores do planeta. A projeção da ApexBrasil não é apenas um número, mas a promessa de mais empregos, renda e dignidade para as famílias que dependem do setor exportador. No longo prazo, a expectativa é beneficiar também os consumidores europeus com uma maior diversidade de produtos e, potencialmente, preços mais competitivos.

O cálculo da Agência considera um universo de cerca de 5 mil itens que passam a ter benefícios tarifários a partir de 1º de maio de 2026. A União Europeia representa uma economia de aproximadamente US$ 20 trilhões, importando cerca de US$ 7 trilhões anualmente, sendo mais de US$ 3,4 trilhões de fora do bloco. Na prática, este acordo expande consideravelmente o acesso do Mercosul a um dos maiores polos de consumo do mundo.

A velocidade de abertura do mercado é um diferencial. Segundo a ApexBrasil, cerca de 54% dos produtos do Mercosul ingressam no mercado europeu com tarifa zero já nesta primeira etapa. Em contrapartida, apenas 10% dos produtos europeus terão tarifa zerada no acesso ao Mercosul no mesmo período.

Laudemir Müller, presidente da Agência, destaca a disparidade favorável aos exportadores sul-americanos. “Quando analisamos o fluxo do Mercosul para a Europa, 54% dos produtos terão tarifa zero. Para um europeu que olha para o Mercosul, ele verá que 10% dos produtos terão tarifa zero. Isso significa que o mercado europeu se abre cinco vezes mais rápido e é nove vezes maior que o mercado do Mercosul”, afirmou Müller em entrevista.

Apesar do otimismo, a definição das cotas para certos produtos, como a carne bovina, ainda não está completamente estabelecida. O tema gerou discussões entre os países do Mercosul sobre a divisão do volume negociado. A forma de distribuição e operação desses volumes – especialmente para produtos como carnes – depende de decisões governamentais sobre quem administrará o acesso e quais serão os critérios. A ApexBrasil ressalta que não participa dessa definição e que sua estimativa de US$ 1 bilhão em exportações adicionais desconsidera esse componente.

“Depende de como a cota será administrada. Pode ser que a Europa administre as licenças de importação, pode ser que o Mercosul administre, ou pode ser que não haja licença alguma, apenas as primeiras toneladas que chegarem lá”, detalhou Müller, evidenciando a complexidade da questão.

Enquanto o impacto inicial será sentido pelos exportadores, que verão suas portas se abrirem e seus negócios expandirem, os consumidores, tanto no Brasil quanto na Europa, perceberão os efeitos gradualmente. Isso se traduzirá em uma maior variedade de produtos nas gôndolas e, potencialmente, preços mais competitivos, refletindo a dinâmica de um mercado mais integrado e eficiente.

Müller explica que o principal benefício inicial do acordo está na capacidade de gerar novos negócios para empresas brasileiras, cooperativas e produtores rurais. Os reflexos para o consumidor ocorrem em um segundo momento, dependendo da logística de cada produto. Frutas frescas, por exemplo, podem chegar ao mercado europeu em poucos dias via transporte aéreo, enquanto bens industriais podem levar semanas por transporte marítimo.

O benefício tarifário, vale ressaltar, entra em vigor no momento do desembaraço aduaneiro no destino. Ou seja, quando a mercadoria chega ao mercado europeu e é formalmente liberada, a nova condição de imposto zero passa a valer, conforme explicou o presidente da Agência.

Além da redução de tarifas, a ApexBrasil implementará uma estratégia de promoção comercial intensiva para acelerar o processo. A agência planeja intensificar rodadas de negócios, impulsionar a presença de empresas brasileiras na Europa e atrair compradores europeus ao Brasil. Essa atuação busca aproximar empresas, cooperativas e compradores, acelerando o contato e a realização de negócios para diversos produtos, desde frutas e grãos até artesanato.

Eventos como a “Semana da Amazônia na Europa” estão programados para fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor estável, competitivo e alinhado às exigências europeias de sustentabilidade. “Nosso trabalho é mostrar que o Brasil é um país que honra seus compromissos, mas também apresentar a realidade atual, desfazendo visões desatualizadas ou distorcidas, tanto no agronegócio quanto na indústria”, concluiu Müller, reforçando o compromisso com a promoção de uma imagem positiva e moderna do Brasil no cenário internacional.

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