EXPORTAÇÃO GANHA FORÇA

Acordo Mercosul-UE impulsiona calçados no mercado europeu

Abicalçados estima que a eliminação das tarifas de importação sobre calçados do Mercosul será feita de forma gradual e pode levar até 10 anos
Abicalçados estima que a eliminação das tarifas de importação sobre calçados do Mercosul será feita de forma gradual e pode levar até 10 anos

Redução de tarifas de até 17% promete nova era para setor. Brasil exportou 17,4 milhões de pares em 2025.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, um marco para a economia brasileira, entra em vigor nesta quinta-feira, 1º de maio de 2026. Decidido por ambos os blocos após a conclusão dos trâmites internos, o tratado visa impulsionar as exportações de calçados do Brasil, prometendo ampliar significativamente a competitividade dos produtos nacionais no mercado europeu. A medida é estratégica para o setor, que espera fortalecer sua posição global e gerar prosperidade para milhares de famílias.

A formalização deste acordo representa um novo capítulo para a indústria calçadista, que celebra a perspectiva de um mercado europeu mais acessível. A expectativa é que o tratado transforme o cenário exportador do Brasil, impulsionando o crescimento e a inovação no setor.

Com uma produção colossal de mais de 847 milhões de pares de calçados em 2025, o Brasil se posiciona como a maior produtora do Ocidente. Mesmo com o início da vigência em caráter provisório, a confiança é palpável. O pilar comercial do acordo passará a valer integralmente a partir desta quinta-feira, 1º de maio de 2026, culminando anos de negociações e a conclusão de trâmites internos entre os blocos.

Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), projeta que os benefícios do acordo se consolidarão a médio e longo prazos. A redução das tarifas, segundo Ferreira, é um diferencial crucial que fortalecerá a posição do Brasil no cenário global, permitindo que os calçados nacionais concorram de igual para igual, especialmente com produtos de países asiáticos.

Em 2025, a União Europeia já se destacou como um destino importante, recebendo 17,4 milhões de pares de calçados brasileiros, um aumento de 5,2% em relação ao ano anterior, conforme dados da entidade. Esse número demonstra o potencial de crescimento que será exponenciado com as novas condições.

O Fim das Barreiras Tarifárias: Uma Janela de Oportunidades

A Abicalçados detalha que o processo de eliminação das tarifas de importação sobre os calçados do Mercosul será progressivo, estendendo-se por até 10 anos, dependendo da especificidade de cada produto. Atualmente, as tarifas aplicadas pela União Europeia variam entre 3,5% e um desafiador patamar de 17%, representando um custo considerável que agora começa a ser desmantelado.

A diminuição dessas barreiras alfandegárias inicia-se com a entrada em vigor do acordo e se aprofunda gradualmente. Essa desgravação progressiva é a chave para uma competitividade crescente dos produtos brasileiros, abrindo portas para novos mercados e consumidores europeus ao longo do tempo.

Salvaguardas Contra Desvios e Fraudes

Entretanto, a Abicalçados levanta um ponto de atenção crucial: o risco de triangulação comercial. Essa prática desleal permitiria que países não signatários do acordo utilizassem membros da União Europeia como plataforma para exportar seus produtos, burlando os benefícios tarifários destinados ao Mercosul. É um desafio que exige vigilância constante.

Para salvaguardar os interesses do bloco, o acordo prevê rigorosas regras de origem. Para calçados de menor valor, por exemplo, exige-se um conteúdo regional mínimo de 60%, que engloba tanto insumos quanto os custos de produção. Além disso, fica expressamente proibida a utilização de cabedais importados de nações que não fazem parte do acordo, garantindo que os benefícios sejam verdadeiramente direcionados aos produtores do Mercosul.

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