EXPORTAÇÕES IMPULSIONADAS

Acordo Mercosul-UE: Brasil projeta US$ 1 bilhão em novas exportações

Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro
Quem ganha e quem perde com o acordo UE-Mercosul — Foto: Arte/g1

Agência ApexBrasil estima aumento já no primeiro ano de vigência. Mais da metade das exportações do bloco terão tarifa zero.

O Acordo Mercosul-União Europeia, resultado de décadas de negociações entre os blocos comerciais, entra em vigor nesta sexta-feira, 01 de maio de 2026, com uma projeção ambiciosa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil): o Brasil pode ampliar suas exportações em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano. A medida, que remove barreiras alfandegárias para uma vasta gama de produtos, visa impulsionar a integração econômica e abrir um mercado bilionário para empresas brasileiras, promovendo o desenvolvimento e a geração de empregos.

Na prática, a implementação do pacto significa que cerca de 54% das exportações do bloco sul-americano para a Europa passam a contar com tarifa zero. Em contrapartida, aproximadamente 10% dos produtos europeus terão o mesmo benefício ao acessar o mercado do Mercosul. Esta reciprocidade busca equilibrar os ganhos e estimular o fluxo comercial em ambas as direções, mas com um foco particular nas oportunidades para o Brasil.

Setores estratégicos estão posicionados para colher os frutos imediatos desta abertura. Entre os itens com maior potencial de impulsionar as vendas externas brasileiras, destacam-se:

  • Mel
  • Uvas
  • Geradores elétricos
  • Aeronaves
  • Motores
  • Couro

“Uma tarifa de 3% ou 7% pode definir se o negócio acontece ou não. A eliminação desses custos abre espaço imediato para o produto brasileiro ganhar participação”, declarou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a jornalistas, enfatizando o potencial transformador do acordo para a balança comercial do país.

Ele ainda acrescentou que o segmento de aeronaves, com a tarifa zerada, tem acesso agora a um mercado estimado em cerca de US$ 16 bilhões, um salto significativo para a indústria nacional. A União Europeia se posiciona como o segundo maior importador do mundo, com os países do bloco movimentando cerca de US$ 7,4 trilhões em importações, dos quais mais de US$ 3 trilhões vêm de mercados externos.

A dimensão do mercado europeu, que é cerca de nove vezes maior que o do Mercosul, aliada à sua abertura em ritmo até cinco vezes mais acelerado, promete ampliar substancialmente o potencial de inserção internacional das empresas brasileiras. Este cenário desenha novas rotas para exportadores, facilitando a expansão e a diversificação de seus negócios.

Contudo, a redução de preços para os consumidores não deve ser imediata. O impacto inicial tende a se concentrar nas empresas exportadoras, que verão seus custos diminuírem e sua competitividade aumentar. Os efeitos para o consumidor final, como produtos mais baratos nas prateleiras, devem ocorrer de forma gradual, à medida que os fluxos comerciais se ajustam e os benefícios se propagam pela cadeia de valor.

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