BENEFÍCIO EM RISCO
Abono salarial terá menos beneficiários até 2030, diz Ministério
Mais de 550 mil pessoas já perdem o auxílio neste ano, em 2026. Teto de renda será reduzido gradualmente.
Uma estimativa preocupante do Ministério do Trabalho revela que, até 2030, aproximadamente 4,5 milhões de trabalhadores de baixa renda no Brasil deixarão de receber o abono salarial anual. Esta projeção, divulgada neste domingo, 10 de maio de 2026, resulta de novas regras que reduzem gradualmente o teto de renda para acesso ao benefício, impactando diretamente o orçamento familiar de milhões e gerando uma economia de quase R$ 25 bilhões para os cofres públicos no mesmo período.
O abono salarial, um benefício anual pago a trabalhadores de baixa renda cadastrados no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, é um alívio financeiro crucial. O dinheiro, proveniente do Fundo de Amparo ao Trabalhador, corresponde a uma parcela calculada de acordo com os meses trabalhados, podendo atingir o valor de um salário mínimo.
As recentes mudanças estabelecem que o teto da renda para ter direito ao abono salarial não será mais o equivalente a dois salários mínimos. Haverá uma redução gradual, com a renda máxima para acesso ao benefício passando a ser corrigida apenas pela inflação, e não mais pelo salário mínimo.
Neste ano, em 2026, terá direito ao abono quem teve uma renda média mensal de até R$ 2.765,93 no ano-base 2024, valor que correspondia a 1,96 salário mínimo daquele período. Essa mudança já começa a fazer diferença na vida de milhares.
A exclusão continuará nos próximos anos. Em 2027, por exemplo, o abono será pago apenas para quem receber até 1,89 salário mínimo. A projeção do Ministério é de que o valor do teto continue diminuindo até alcançar 1,5 salário mínimo em 2035.
Os números são expressivos e demonstram o alcance social da medida: só neste ano, o governo estima que mais de 559 mil trabalhadores perderão o benefício. No ano que vem, em 2027, mais 1,58 milhão de pessoas devem ser afetadas, somando-se àqueles que já não terão acesso ao recurso.
A perda do abono salarial representa uma diminuição no poder de compra e na qualidade de vida para milhões de famílias, que contavam com esse aporte anual para despesas essenciais, quitar dívidas ou investir em melhorias. Enquanto a medida projeta uma economia de quase R$ 25 bilhões até 2030, a contrapartida é o impacto direto no sustento de uma parcela vulnerável da sociedade brasileira.
As mudanças no abono salarial devem excluir mais de 4 milhões até 2030 — Foto: Jornal Nacional
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