COMÉRCIO EXTERIOR

Abicalçados alerta que novas tarifas dos EUA ameaçam competitividade

Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, em foto oficial.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, durante audiência pública sobre tarifas nos EUA.

Associação Brasileira das Indústrias de Calçados projeta riscos ao emprego e à produção nacional caso taxações avancem nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026.

A imposição de novas tarifas sobre o calçado brasileiro pelos EUA pode comprometer seriamente a rentabilidade de importadoras norte-americanas e a sustentabilidade de fábricas no Brasil. A posição foi reafirmada pelo presidente-executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Haroldo Ferreira, nesta terça-feira, 14/07/2026, às vésperas de uma decisão definitiva do governo norte-americano sobre o tema, prevista para 15 de julho de 2026.

O setor defende que a medida causaria danos bilaterais. Segundo Haroldo Ferreira, o Brasil atua como um parceiro estratégico para o desenvolvimento de coleções de nicho que, posteriormente, ganham escala na Ásia. Ele alerta que uma barreira comercial forçará o fechamento de indústrias e a redução de postos de trabalho, uma vez que o setor já opera com margens estreitas após o ciclo tarifário de 2025.

As propostas em análise pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), apresentadas em 1º e 2 de junho de 2026, incluem sobretaxas de 25% sob alegação de práticas desleais de comércio e 12,5% por questões ligadas a trabalho forçado. A associação aponta que a indústria brasileira já não possui fôlego financeiro para absorver novos custos sem repassá-los, o que inviabilizaria a manutenção de clientes nos Estados Unidos.

Para além do cenário externo, o setor enfrenta dificuldades no mercado interno, exacerbadas pelo alto nível de endividamento das famílias brasileiras. De acordo com a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) em 10 de junho de 2026, o endividamento alcançou 81,6% em maio. Esse quadro retrai o consumo de bens, mesmo aqueles considerados essenciais.

Adicionalmente, Haroldo Ferreira pontuou preocupações sobre a concorrência com plataformas internacionais e os impactos econômicos da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que visa alterar a jornada de trabalho de 6x1 para 5x2, aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026 e que aguarda análise no Senado Federal. A Abicalçados defende que qualquer mudança estrutural seja debatida com cautela para evitar a perda de competitividade da indústria nacional.

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