ALERTA CRÍTICO GÁS
Abegás projeta alta de 40% no gás natural até agosto
Petrobras aplicou reajuste de 19,2% em maio, e Associação exige isonomia tributária para evitar impacto no consumidor.
A Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) manifestou "profunda preocupação" com a projeção de um aumento de até 40% no preço do gás natural no mercado brasileiro até agosto. Essa escalada, impulsionada pelo reajuste de 19,2% aplicado pela Petrobras em 1º de maio de 2026 e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio, fragiliza o mercado interno e ameaça o orçamento familiar e a competitividade industrial do país, que possui uma relevante produção nacional.
A Associação alerta que, após o último reajuste da Petrobras, o cenário para o próximo trimestre é crítico, com a possibilidade de o preço do gás ao consumidor final disparar ainda mais. Essa volatilidade reflete a exposição do mercado nacional às tensões geopolíticas globais, um ponto criticado pela Abegás, que defende maior autonomia e proteção para a produção interna.
A lógica da produção nacional questionada
Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) revelam que, em fevereiro de 2026, o Brasil disponibilizou mais de 65 milhões de m³/dia de gás ao mercado – um volume integralmente consumido no país, sem exportação. A Abegás argumenta que, diante dessa realidade, os indexadores de preço da molécula deveriam refletir as condições nacionais, e não apenas as flutuações do mercado internacional.
O Brasil não deveria estar exposto a esses impactos, até porque a produção nacional atende à demanda do mercado convencional. Não é razoável que o país tenha toda essa exposição aos efeitos das tensões geopolíticas. É preciso que o preço da molécula de gás tenha indexadores que reflitam essa realidade.
Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás
Assimetria tributária impacta o consumidor
Outro ponto de forte crítica da Abegás reside na assimetria tributária. Enquanto combustíveis com maior pegada de carbono, como o diesel, recebem pacotes de isenção, o gás natural – uma fonte mais limpa e essencial para impulsionar a competitividade da indústria – carece do mesmo incentivo. Essa disparidade afeta diretamente a transição energética e o custo final para empresas e cidadãos.
Para o consumidor final, o impacto direto dos reajustes depende das agências reguladoras estaduais, responsáveis por definir as tarifas para cada segmento (industrial, comercial e residencial). As distribuidoras de gás operam sob o regime de pass-through, o que significa que repassam a variação do custo da molécula sem obter ganhos sobre esse ajuste. No segmento de GNV (gás natural veicular), os postos de combustíveis mantêm autonomia para estabelecer suas margens e custos operacionais, o que pode gerar variações adicionais nos preços finais.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário