LEGADO DE CORAGEM

A trajetória de Wilma de Faria, a primeira governadora do RN

Registro histórico da então candidata Wilma de Faria em ato de campanha.
Wilma de Faria durante sua campanha vitoriosa ao Governo do Estado em 2002.

Em 27 de outubro de 2002, Wilma de Faria rompeu estruturas tradicionais de poder e tornou-se a primeira mulher eleita governadora do Estado pelo voto direto.

A política do Rio Grande do Norte ganhou um novo rumo em 27 de outubro de 2002. Naquele domingo, Wilma de Faria (PSB) derrotou Fernando Freire (PPB) com 820.541 votos, o equivalente a 61,05% dos votos válidos, tornando-se a primeira mulher eleita governadora do Estado pelo voto direto. Mais do que uma vitória eleitoral, o resultado rompeu décadas de comando masculino e consolidou a trajetória da líder que passaria a ser conhecida definitivamente como “A Guerreira”.

Antes da vitória histórica, em abril daquele ano, Wilma exercia o terceiro mandato como prefeita de Natal e desfrutava de altos índices de aprovação popular. Ainda assim, tomou a decisão de renunciar ao cargo para disputar o Governo do Estado. Nas pesquisas, aparecia com apenas 1% ou 2% das intenções de voto e enfrentaria duas das maiores estruturas políticas do Rio Grande do Norte: Fernando Bezerra, apoiado pela família Maia, e Fernando Freire, então governador em exercício, respaldado pelo grupo Alves.

Coragem antes da campanha

Para quem conviveu com Wilma de Faria, a renúncia de uma prefeitura bem avaliada para buscar o Governo do Estado refletia a determinação de quem buscava novos horizontes para o Rio Grande do Norte. A ex-deputada estadual Márcia Maia, filha da ex-governadora, afirma que a postura da mãe em 2002 materializou uma vida inteira de superação.

“Ela sempre foi uma pessoa ousada, corajosa, batalhadora, determinada e muito estudiosa. Era uma mulher à frente do seu tempo, protagonista da própria história”, recorda Márcia. Segundo a filha, praticamente todo o círculo político tentou dissuadi-la da ideia, considerando a candidatura uma aventura fadada ao insucesso diante dos números iniciais.

Campanha construída ao lado do povo

Sem a estrutura dos adversários, Wilma percorreu o interior apostando no contato direto com a população. A ausência de grandes apoios partidários no primeiro turno foi compensada pela capilaridade de suas visitas e pela curiosidade do eleitorado diante de uma candidatura feminina inédita. O uso de pequenos carros de som, apelidados de “baratinhas”, tornou-se o símbolo da mobilização popular que a levaria ao primeiro lugar no primeiro turno e à vitória definitiva no segundo, alterando permanentemente a dinâmica política do Estado.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário