PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE
A arara-azul-grande retorna à lista de espécies Vulnerável à Extinção
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reclassifica a espécie após impactos severos das queimadas no Pantanal.
A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) voltou a ser classificada oficialmente como Vulnerável à Extinção. A medida, definida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e divulgada em junho de 2026, marca um retrocesso após mais de uma década fora da lista nacional de espécies ameaçadas, conforme constatado neste sábado, 11/07/2026.
A decisão técnica foi motivada por um conjunto de indicadores críticos, sendo os grandes incêndios no Pantanal o fator de maior impacto. Segundo Neiva Guedes, bióloga e fundadora do Instituto Arara Azul, houve uma redução de cerca de 60% em grupos monitorados por décadas, além de uma queda preocupante no sucesso reprodutivo das aves.
A espécie é altamente especializada e depende de recursos naturais específicos para alimentação e reprodução. Eventos climáticos extremos e o ciclo reprodutivo lento — que exige entre sete e nove anos para a maturidade — tornam a recuperação das populações um desafio contínuo.
Neiva Guedes ressalta que o retorno à lista não anula os avanços obtidos pelo trabalho de conservação iniciado em 1990. Pelo contrário, a situação atual serve como um alerta para a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas, o combate a incêndios e a proteção do habitat contra o uso de agrotóxicos.
Com as projeções climáticas adversas associadas ao El Niño, a expectativa é que a nova classificação direcione esforços institucionais e científicos para evitar a perda definitiva de uma espécie fundamental para o equilíbrio ambiental do bioma.
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