EVASÃO ESCOLAR ALTA
7,9 milhões de jovens brasileiros não completaram o ensino médio, aponta pesquisa do IBGE
Número representa queda de mais de 8% em relação à edição anterior da PNAD Educação, mas preocupações persistem com motivos como necessidade de trabalhar e gravidez.
Nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Educação. A pesquisa revelou que pelo menos 7,9 milhões de jovens brasileiros, com idades entre 14 e 29 anos, não completaram o ensino médio ou nunca frequentaram a escola. Este dado, embora represente uma queda significativa de mais de 8% em relação aos 8,6 milhões registrados na edição anterior, ainda reflete um desafio persistente na trajetória educacional do país.
As razões para o abandono escolar são multifacetadas e variam entre os gêneros. Entre os homens, a necessidade de trabalhar e a falta de interesse nos estudos despontam como os principais motivos, citados por 54,2% e 28,0% dos evasores, respectivamente. Já entre as mulheres, embora a necessidade de trabalhar também seja um fator relevante (26,2%), outras questões de gênero ganham peso: gravidez é apontada por 24,7% delas, e a realização de afazeres domésticos ou cuidado com outras pessoas por 8,6%. Esses resultados evidenciam que, para além da condição econômica, responsabilidades reprodutivas e domésticas ainda representam entraves consideráveis à permanência das jovens nas escolas.
Os dados da PNAD Educação também destacam que a evasão escolar não se concentra em uma única faixa etária, mas se manifesta de forma preocupante tanto no ensino fundamental quanto no médio. Observa-se que a maior parte dos abandonos ocorre a partir dos 16 anos, com taxas significativas aos 17 e 18 anos. No entanto, o abandono precoce, ainda nas idades correspondentes ao ensino fundamental, com 7,5% até os 13 anos e 7,6% aos 14 anos, é apontado como uma das causas da precarização da formação educacional no Brasil.
A pesquisa aponta ainda que, entre os jovens que abandonaram os estudos, 59,8% são homens e 40,2% são mulheres, reforçando a tendência de que as meninas tendem a permanecer mais tempo na escola. Na distribuição por cor ou raça, 26,4% eram brancos e 72,8% eram pretos ou pardos, um reflexo das maiores dificuldades estruturais enfrentadas pela população negra no país.
Embora não seja possível associar diretamente a recente queda no número de evasores ao programa federal Pé-de-Meia, criado em 2024 e que oferece incentivos financeiros para a permanência escolar, especialistas ressaltam a importância do apoio financeiro. Contudo, eles defendem a ampliação de estratégias abrangentes para combater a evasão em suas diversas causas, garantindo a dignidade e o futuro educacional de milhões de jovens.
Apesar dos desafios da evasão, a taxa de escolarização de crianças de 6 a 14 anos no Brasil permanece elevada, com 99,5% inseridas no sistema educacional. Na faixa de 15 a 17 anos, a taxa de 93,2% mostra estabilidade, mas ainda está abaixo da meta estabelecida.
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