INCLUSÃO TECNOLÓGICA

Estudantes goianos desenvolvem tradutor de emoções para pessoas não verbais

Estudantes posam com o protótipo do dispositivo SentiPulso.
Estudantes Ana Gabrielly Miranda Pereira e Anna Beatriz Gonçalves de Souza, com Pedro Augusto Corrêa Crispim Yoshihara (ex-aluno), desenvolveram o SentiPulso.

Projeto SentiPulso utiliza frequência cardíaca para identificar estados emocionais e auxiliar na comunicação e bem-estar. Empresas já demonstram interesse na tecnologia.

Estudantes da rede pública de Goiás desenvolveram um inovador mecanismo de tecnologia assistiva que funciona como um tradutor de emoções. Batizado de SentiPulso, o dispositivo foi criado por Ana Gabrielly Miranda Pereira, de 16 anos, e Anna Beatriz Gonçalves de Souza, de 15, alunas do Centro de Ensino de Período Integral Estadual (CEPI) Doutor Mauá Cavalcante Sávio, em Anápolis, com a colaboração de Pedro Augusto Corrêa Crispim Yoshihara, formado pelo colégio em 2025.

A solução tecnológica capta os batimentos cardíacos do usuário por meio de um sensor óptico, que, ao ser fixado na ponta do dedo, permite que uma luz verde atravesse os tecidos e identifique variações no fluxo sanguíneo. Esses dados são convertidos em sinais elétricos enviados a uma placa controladora Arduino, que os processa e transforma em valores numéricos.

Após a leitura da frequência cardíaca, o sistema compara os valores obtidos com parâmetros de referência da literatura científica, associando determinados intervalos de batimentos a estados emocionais. Em um display LCD, o protótipo físico exibe representações simples de uma carinha feliz e uma carinha triste para indicar se os estados estão dentro ou fora dos parâmetros estabelecidos.

O aplicativo complementar, desenvolvido pelas alunas, amplia as possibilidades, apresentando uma variedade maior de emoções e informações detalhadas sobre os dados coletados. O processo de interpretação emocional é inteiramente automático, com programação em linguagem C++.

Há ainda um mecanismo de regulação emocional por vibração, que o usuário pode acionar. Essa funcionalidade surgiu a partir de pesquisas sobre estímulos táteis e vibratórios como estratégias para pessoas neurodivergentes no processo de autorregulação sensorial.

O aplicativo para smartphones utiliza ferramentas de inteligência artificial para programação assistida. Ao receber as informações coletadas pelo dispositivo, ele apresenta ao usuário dados da interação entre o sensor e o sistema de interpretação emocional.

Empresas já demonstraram interesse na tecnologia, especialmente na etapa do aplicativo, devido à possibilidade de integração com smartwatches que já monitoram a frequência cardíaca. Essa união poderia reduzir custos e acelerar a adoção da inovação.

O projeto foi concebido com potencial de aplicação prática, focado em ambientes corporativos e educacionais voltados à inclusão de pessoas neurodivergentes e não verbais. O principal desafio técnico a ser superado é a miniaturização do equipamento, que já foi reduzido de uma folha A4 para caber em uma pequena caixa. A expectativa é incorporá-la a dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, permitindo o compartilhamento de informações emocionais em tempo real.

A proposta dos estudantes é que a tecnologia funcione como uma ferramenta de apoio à comunicação e ao bem-estar, auxiliando familiares, educadores e empregadores a compreenderem melhor momentos de estresse, desconforto ou sobrecarga emocional, para que possam oferecer respostas mais adequadas e acolhedoras.

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