VOTO DECISIVO
Senado define futuro de Jorge Messias no STF nesta quarta
Governo Lula busca 41 votos para aprovação em votação apertada; sabatina na CCJ precede plenário.
Em uma ofensiva intensa, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram conversas nas últimas horas para assegurar a aprovação de Jorge Messias como ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), cuja votação no Senado está prevista para esta quarta-feira, 29/04/2026. A mobilização governista visa garantir os 41 votos mínimos diante de um cenário apertado, uma decisão crucial que redefinirá a composição da Suprema Corte e influenciará diretamente a interpretação de leis e direitos fundamentais no Brasil.
Para ser confirmado ao Supremo, Messias precisa alcançar ao menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado. A equipe governista projeta um mínimo de 45 votos, com uma estimativa mais otimista chegando a 49. Contudo, essa margem é considerada estreita e suscetível a reviravoltas. Em contrapartida, a oposição trabalha para barrar a indicação, calculando que o nome de Lula deve reunir cerca de 35 votos.
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), voltou temporariamente ao Senado para participar da votação, adicionando um voto à contagem governista. Apesar de sua fé evangélica, Messias não deve contar com o apoio unânime da bancada religiosa, indicando a complexidade das alianças neste processo.
A votação secreta no plenário desponta como um elemento estratégico para a base governista. Integrantes do governo apostam na existência dos chamados "votos envergonhados" — senadores que evitam declarar publicamente seu apoio a Messias por receio de pressões de eleitores e colegas, mas que tendem a votar favoravelmente na urna. Nesse cálculo, interesses regionais e articulações de bastidores podem prevalecer sobre a polarização ideológica que marca o cenário político atual.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais articuladores da oposição, afirmou que o voto da direita ocorrerá "conforme a consciência" de cada senador. Embora Flávio tenha reiterado sua posição contrária e o PL mantenha a orientação de votar contra a indicação, governistas interpretaram a declaração como um possível sinal de flexibilidade em parcelas da oposição, abrindo caminho para dissidências.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), inicialmente demonstrou resistência à indicação de Jorge Messias e não atuou ativamente em prol do nome de Lula. Contudo, nas últimas semanas, governistas observam que ele não criou obstáculos, cumprindo seu papel institucional. Aliados do Planalto afirmam que Alcolumbre se comprometeu a manter o painel de votação aberto pelo tempo necessário, um gesto valioso em uma disputa tão acirrada.
Antes da crucial votação em plenário, Messias ainda precisa enfrentar uma sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A expectativa da equipe governista é que ele obtenha ao menos 16 votos favoráveis no colegiado, superando esta primeira barreira para chegar ao plenário.
Messias deve se antecipar a temas mais espinhosos durante a sabatina, como a legalização do aborto e os pedidos de condenação dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. No caso dos eventos de janeiro, ele deverá enfatizar seu papel técnico como advogado-geral da União, destacando o cumprimento de seu dever institucional.
Aliados sugerem que ele pode se abster de emitir opiniões pessoais sobre certos temas, alegando que não pode pré-julgar questões que serão de sua competência como futuro ministro da Suprema Corte. Eles descrevem Messias como "discreto e preparado" e o aconselham a ser sucinto e objetivo nas respostas aos senadores, evitando prolongar as falas para não gerar ambiguidades.
Governistas e defensores da indicação também articulam uma estratégia de moderação nas intervenções durante a CCJ, visando não expor desnecessariamente o indicado e agilizar o processo, que promete durar longas horas nesta quarta-feira.
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