GOVERNO EM XEQUE

Planalto espera saída de Jaques Wagner da liderança do Senado após caso Banco Master

Senador Jaques Wagner em Brasília
Senador Jaques Wagner (PT) em Brasília. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.

Presidente Lula deve se reunir com senador Jaques Wagner nesta quarta-feira (24) em Brasília para discutir sua permanência na liderança. O Planalto teme desgaste político com a oposição explorando o caso Banco Master.

O Palácio do Planalto espera uma decisão sobre a permanência do senador Jaques Wagner (PT) na liderança do governo no Senado. A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Jaques Wagner está marcada para esta quarta-feira (24), em Brasília, para debater os desdobramentos da operação da Polícia Federal que apura irregularidades no Banco Master e que tem o senador no centro das investigações. A preocupação é com o potencial de desgaste político para o governo, especialmente com a aproximação de períodos eleitorais.

Inicialmente, após a deflagração da operação na semana passada, integrantes do governo chegaram a cogitar um afastamento temporário de Jaques Wagner para que ele pudesse se concentrar em sua defesa. No entanto, o próprio senador descartou essa possibilidade em entrevista no mesmo dia, afirmando ter recebido apoio do presidente Lula e que não deixaria o cargo. Essa postura tem gerado desconforto entre aliados e dirigentes do PT, que avaliam que a permanência do senador na liderança dificulta a separação da imagem do governo federal das investigações.

Nos bastidores, o temor é que a oposição utilize o episódio para desgastar a imagem do governo, combinando especulações anteriores sobre o caso, os fatos revelados pela investigação e imagens da operação. Um interlocutor do governo resumiu a apreensão como a combinação de "o boato, o fato e a foto". O "boato" se refere a especulações sobre conexões do PT baiano com o caso; o "fato", à apuração que mira Jaques Wagner por sua relação com Augusto Lima, apontado como sócio do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro; e a "foto", às imagens de dinheiro apreendido em um endereço ligado ao entorno do senador.

A preocupação se estende à possibilidade de o conjunto desses elementos ser explorado na campanha eleitoral. Por isso, cresce entre aliados a expectativa de que o próprio Jaques Wagner tome a iniciativa de deixar a liderança, evitando que o presidente Lula precise tomar essa decisão diretamente de um aliado político de longa data. A relação de amizade entre Lula e Jaques Wagner, que remonta a quase cinco décadas, contribui para a busca de uma solução que preserve a relação e evite constrangimentos.

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