Vila Isabel, Salgueiro e Beija-Flor se destacam com luxo, samba-chiclete e pouca crítica social

O abstrato e o lúdico deram o tom da Sapucaí em sua segunda e última noite de desfiles. As escolas que apostaram nessa pegada e se destacaram foram a Vila Isabel, o Salgueiro e a Beija-Flor, com enredos inusitados e bem executados.
As críticas políticas e sociais, que vieram mais fortes no primeiro dia, ficaram em segundo plano desta vez, exceto pela sátira ao presidente Jair Bolsonaro na apresentação da São Clemente, com o humorista Marcelo Adnet fazendo até flexões em uma das alegorias. Também diferentemente do domingo, houve poucos incidentes com carros alegóricos ou evolução.
Ainda no início da noite, a Unidos de Vila Isabel arrebatou o público contando uma história sobre a criação de Brasília (que completa 60 anos em 2020) bem diferente da que se lê nos livros, através de uma visão mítica.
A cidade teria sido fruto de uma visão do curumim (menino), transmitida pela jaçanã (ave). A lenda une os povos de todas as regiões do país, que foram representadas no desfile de forma luxuosa e competente.
A Vila se destacou pelo carro abre-alas com mais de 60 metros de extensão, representando a viagem onírica da criação da capital, pela inovação nas baianas vestidas de índias e pelas alas coreografadas, como a que simbolizava o fandango sulista.
O último carro fez jus à historiografia sobre a cidade e homenageou os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que efetivamente idealizaram sua arquitetura e urbanismo modernos.
Folha de S. Paulo
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