″É somente dentro da lei que se poderá fazer a verdadeira Justiça e punir quem cometeu crimes contra a população. Caso contrário, estaremos diante de mais um dos espetáculos pirotécnicos que a Lava Jato pratica sistematicamente, com objetivos políticos e seletivos”, diz nota assinada pela presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PT), e pelos líderes da legenda na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e no Senado, Humberto Costa (PT-PE).
No texto, os petistas dizem esperar que a prisão de Temer não tenha sido decretada com base em “especulações e delações sem provas”.
De acordo com o PT, o ministro da Justiça e ex-juiz responsável pela Lava Jato na primeira instância, Sergio Moro, é parte de um grupo que trava uma “encarniçada luta pelo poder” contra o Congresso, o STF (Supremo Tribunal Federal) e a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Líder da minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também defendeu cautela ao analisar a atuação da Justiça do Rio. A prisão de Temer foi decidida pelo juiz Marcelo Bretas.
“Isso tem cheiro de uma prisão arbitrária. Não podemos fazer a defesa de uma prisão fora de processo constitucional”, afirmou a jornalistas.
A parlamentar lembrou que a Câmara arquivou por duas vezes denúncias contra o emedebista. “Se naquele momento as investigações tivessem sido abertas, hoje, talvez, estivesse autorizada uma prisão constitucionalmente consolidada”, completou.
O líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), disse que o ex-presidente usou do cargo para se blindar contra investigações. “Finalmente a Justiça começa a ser feita. Trata-se do chefe de uma quadrilha. Vários de seus comparsas já estão presos”, disse a jornalistas.
Para aliados do presidente Jair Bolsonaro, a prisão de Temer é sinal de avanço das investigações contra corrupção. O líder do PSL no Senado, Major Olímpio, disse que a operação mostra que “ninguém está acima da lei”.
Na últimas semanas, também se acirrou o clima de ataques ao Judiciário. Senadores apresentaram um pedido de CPI (comissão parlamentar de inquérito) para investigar integrantes das cortes superiores. Já o STF (Supremo Tribunal Federal) abriu uma investigação para apurar ameaças e a disseminação de fake news sobre o tribunal.
O presidente em exercício, general Hamilton Mourão, por sua vez, lamentou a situação e comparou Temer a Lula. “Já falei a respeito da mesma situação do presidente Lula, né. É muito ruim para o país, né, você ter um ex-presidente preso. E agora seguem as investigações”, disse a jornalistas.
Nas redes sociais, se multiplicam os memes da ex-presidente Dilma Rousseff comemorando a prisão do ex-presidente Michel Temer, um dos articuladores de seu impeachment. Oficialmente, contudo, o PT criticou a operação da Lava Jato desta quinta-feira (21) e comparou a situação de Temer com a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril de 2018.

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