'O Vaticano é uma organização gay': o polêmico livro que diz revelar a corrupção e a hipocrisia na Igreja
ACORDO COM MARTEL, GRANDE PARTE DOS PADRES DO VATICANO SÃO HOMOSSEXUAIS / DIREITO DE IMAGEM- AFPApós celebrar missas em igrejas do Vaticano e pendurar as batinas, "milhares" de padres saem para curtir a noite gay de Roma.
É o que afirma o jornalista francês Frédéric Martel no livro No Armário do Vaticano, que tem lançamento mundial marcado para esta quinta-feira, mesmo dia em que os principais líderes da Igreja Católica se reúnem para discutir uma estratégia contra o abuso sexual de menores. "O texto é resultado de uma investigação que realizei por mais de quatro anos, em que viajei por vários países e entrevistei dezenas e dezenas de cardeais, bispos, padres, seminaristas e pessoas muito próximas ao Vaticano", afirmou o autor à BBC News Mundo. É uma narrativa que denuncia, segundo a sinopse do livro, a "corrupção e a hipocrisia" dentro do catolicismo romano, que condenou a homossexualidade durante séculos.
LIVRO DENUNCIA, SEGUNDO A SINOPSE, A 'CORRUPÇÃO E HIPOCRISIA' DENTRO DO CATOLICISMO ROMANO – IMAGEM FPISacerdócio e homossexualidade
O ABUSO SEXUAL NÃO ESTÁ RELACIONADO COM A HOMOSSEXUALIDADE, PODE ACONTECER DENTRO DE FAMÍLIAS HETEROSSEXUAIS, E A MAIORIA DAS VÍTIMAS NO MUNDO SÃO MULHERES', DIZ MARTEL - IMAGEMAFP
À MEDIDA QUE AVANCEI NA PESQUISA, DESCOBRI QUE O VATICANO É UMA ORGANIZAÇÃO GAY NO NÍVEL MAIS ALTO', AFIRMA MARTEL - IMAGEM AFPE o que acontece na América Latina?
Ao longo de mais de 500 páginas, o livro afirma que essa situação não é exclusiva do Vaticano - também acontece em Igrejas de muitos outros países, inclusive da América Latina. "Estive várias vezes na Argentina, em Cuba, no México, no Chile e na Colômbia, e o que descobri foi que a situação não era muito diferente da do Vaticano", diz ele. Martel afirma que um denominador comum entre alguns desses países era uma relação "insólita" entre a cúpula religiosa e militar, seja décadas atrás nos governos de fato da Argentina e do Chile, nos tempos da guerrilha da Colômbia ou, mais tarde, no regime de Fidel Castro em Cuba. "Na maioria desses casos, havia uma cumplicidade entre a Igreja e esses governos ou forças que fizeram com que a homossexualidade e os abusos dos padres fossem encobertos nesses países", sinaliza. No México, um dos casos mais notórios é o do fundador da Legião de Cristo, Marcial Maciel, mas ele também descobriu outros menos conhecidos, como o do falecido cardeal colombiano Alfonso López Trujillo. De acordo com o livro, o pároco rondava seminaristas e jovens sacerdotes e contratava garotos de programa rotineiramente. Ao mesmo tempo, pregava os ensinamentos da Igreja de que todos os homens gays eram "intrinsecamente desordenados" e questionava o uso de preservativos. E apesar de Martel dizer que chegou a se encontrar com garotos de programa contratados pelo falecido cardeal, muitos críticos do livro questionam que a maioria das acusações carece de evidências sólidas e é baseada apenas em "fofocas" e "disse me disse". Outros também afirmam que o texto poderia levar a uma "caça às bruxas" contra padres homossexuais ou promover estereótipos negativos, porque de acordo com Martin "é mais fácil buscar bodes expiatórios do que confrontar a hipocrisia e a cultura do sigilo" dentro da Igreja. Para outros, o livro é a revelação do que muitos consideram um "segredo aberto" e poderia ser um convite para mudar as estruturas estagnadas do Vaticano. "A Santa Sé deve ser um modelo para todas as dioceses do mundo, incluindo a seleção e monitoramento de seus próprios membros. E, neste momento, não é", afirmou à BBC o monsenhor Stephen J. Rossetti, professor na Universidade Católica dos Estados Unidos. "Eles devem fazer um trabalho melhor para garantir que seus padres sejam fiéis ao voto de celibato. Também devem ser mais agressivos, especialmente quando confrontados com clérigos homossexuais que não são celibatários. Houve vários casos recentemente e vai continuar havendo escândalos até que eles se encarreguem disso", acrescenta. FONTE:Gostou desta notícia?
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