ELEIÇÕES 2026

Segurança pública domina o debate presidencial, Aponta Genial/Quaest

Representação de estratégias de segurança pública em debate eleitoral
Segurança pública é tema central nas estratégias das campanhas para a Presidência da República.

Pré-candidatos como Lula, Flávio Bolsonaro, Zema e Caiado detalham estratégias para combater a violência que afeta quase 60% dos brasileiros.

A segurança pública, identificada como o principal desafio do Brasil em pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril, firmou-se como o tema central nas estratégias das campanhas para a Presidência da República. Essa priorização, definida pelos marqueteiros e equipes dos pré-candidatos, reflete a urgência do eleitorado por soluções federais para a violência que altera o cotidiano de milhões. Diante deste cenário, o governo do presidente Lula (PT) lançou um robusto pacote de combate ao crime organizado nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, enquanto outros pré-candidatos articulam propostas de endurecimento penal e modelos de gestão que prometem restaurar a dignidade e a tranquilidade da sociedade.

Faltando cerca de cinco meses para as eleições, equipes de campanha para a Presidência da República são unânimes: a segurança pública dominará os debates. A violência, que a pesquisa Genial/Quaest de abril aponta como o principal problema para os brasileiros, transcendeu a esfera estadual e do Distrito Federal, exigindo agora soluções federais. Este novo entendimento impõe aos pré-candidatos a responsabilidade de apresentar propostas concretas para mitigar o medo que aflige a população e restaurar a sensação de segurança.

Nos bastidores, aliados do presidente Lula (PT) reconhecem que, nos últimos quatro anos, o governo enfrentou dificuldades para avançar no tema, especialmente com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma de suas principais apostas na área.

A urgência é palpável: dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, revelam que o medo da violência já altera a rotina de quase 60% dos brasileiros, comprometendo a liberdade e o bem-estar diário. Em busca da reeleição, o presidente Lula (PT) apresentou um pacote de medidas contra o crime organizado nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. Paralelamente, pré-candidatos como Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) defendem o endurecimento da legislação penal, inclusive a diminuição da maioridade penal. Por sua vez, Ronaldo Caiado (PSD) planeja destacar os resultados obtidos em sua gestão no Estado de Goiás.

A GloboNews consultou estrategistas, marqueteiros e interlocutores das campanhas dos quatro pré-candidatos com mais de três pontos percentuais de intenção de voto na última pesquisa Genial/Quaest, a fim de compreender suas abordagens.

Lula (PT)

O governo do presidente Lula (PT) realizou um evento no Palácio do Planalto nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, para lançar o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”. A iniciativa promete investimentos de R$ 11 bilhões e foca em quatro eixos essenciais para desmantelar a estrutura criminosa e proteger os cidadãos:

  • asfixia financeira do crime organizado;
  • reforço na segurança do sistema prisional;
  • aumento nas taxas de esclarecimentos de homicídios;
  • enfrentamento ao tráfico de armas.

A pauta da segurança pública também foi central em uma conversa entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na ocasião, o presidente brasileiro solicitou a entrega de criminosos do Brasil refugiados em Miami (EUA), buscando justiça para crimes cometidos no país.

Internamente, membros do PT reconhecem que a segurança pública é um "tema da oposição", mas avaliam que a reunião com Trump fortaleceu o posicionamento do governo, fornecendo argumentos para o contraponto. Os governistas também concentram esforços em investigações para asfixiar financeiramente as organizações criminosas, utilizando a Lei Antifacção – proposta do Executivo e aprovada em fevereiro no Congresso – como ferramenta para megaoperações que sufocam o braço financeiro dessas redes.

O governo, por sua vez, atribui ao Congresso Nacional a não aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Essa PEC era uma das principais apostas do Planalto para permitir que a União coordenasse a segurança pública e estabelecesse diretrizes nacionais, visando uma atuação mais integrada e eficaz.

Flávio Bolsonaro (PL)

A equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL) revela que a pré-candidatura defenderá uma agenda focada no endurecimento da legislação penal, no fortalecimento do sistema prisional, na valorização das forças de segurança e no uso intensivo de tecnologia e inteligência. Estas medidas visam aprofundar o combate à criminalidade e restabelecer a ordem para a população.

Seu plano de governo inclui pontos estratégicos como:

  • a revisão da legislação penal para restringir benefícios a condenados por crimes graves e diminuir a maioridade penal, buscando maior rigor judicial;
  • a ampliação de vagas no sistema prisional, para dar conta da demanda crescente;
  • a integração de bancos de dados e sistemas de inteligência entre União, estados e municípios, otimizando o trabalho das forças de segurança; e
  • o reforço do monitoramento de fronteiras, portos e aeroportos, para barrar o tráfico e a entrada de ilícitos.

A equipe do senador Flávio Bolsonaro também enfatiza que a política de segurança deve ser complementada por ações preventivas, com foco na qualificação profissional e na criação de oportunidades para jovens. O objetivo é reduzir o aliciamento pelo crime, oferecendo um futuro diferente e digno. Embora não haja um nome público para o comando da segurança, o diálogo com diversos especialistas segue aberto.

Durante seu mandato como senador, Flávio Bolsonaro apresentou 36 projetos voltados para a segurança pública, sendo pelo menos 10 focados no aumento de penas, dois para a tipificação de novos crimes, três de incentivo ao armamento e três para a redução da maioridade penal, demonstrando um histórico de atuação nesta área.

Ronaldo Caiado (PSD)

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), baseará sua campanha na segurança pública ao apresentar os resultados de sua gestão no estado, que registrou quedas significativas nos índices de roubo e homicídios. Seus interlocutores afirmam que o objetivo é demonstrar a capacidade de replicar esse modelo bem-sucedido em nível nacional, trazendo esperança para comunidades que clamam por paz e ordem.

Conforme seu marqueteiro, Paulo Vasconcelos, a estratégia é "forçar a comparação" e "mostrar quem já fez". Vasconcelos argumenta que um plano estratégico de segurança detalhado seria um "briefing para o bandido". Em vez disso, a narrativa foca em "como se enfrenta a segurança, com rigidez, com atitude, com força, confiando nas polícias e, ao mesmo tempo, criando proteção social em volta da ideia, de que não é só prender bandido, mas também ter boa educação", indicando uma abordagem que combina repressão e prevenção.

Como governador, Caiado se destacou como crítico da PEC da Segurança Pública, expressando preocupação com a possível perda de prerrogativas das forças de segurança estaduais. Em um encontro com o presidente Lula e outros governadores, ele classificou como "inadmissível qualquer invasão nas posições que os estados têm em termos de poder da sua polícia civil, militar e penal", defendendo a autonomia federativa na segurança.

Caiado também integrou o “Consórcio da Paz”, uma iniciativa para integrar forças de segurança e equipes de inteligência, anunciada após uma operação no Rio de Janeiro que resultou em 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão. Esse consórcio reflete a busca por ações conjuntas e mais eficazes no combate à criminalidade.

Romeu Zema (Novo)

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato, Romeu Zema (Novo), divulgou um documento com as diretrizes de sua pré-campanha para a área da segurança pública. As propostas buscam uma abordagem mais rigorosa para restaurar a ordem e a segurança para a sociedade.

Entre suas ideias, destaca-se a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Conforme o plano de governo de Zema, essa medida "permitiria o uso da Força Nacional, das Forças Armadas e de colaboração internacional para combatê-los, também garantindo penas altas e a impossibilidade de progredir de regime", buscando um arsenal jurídico mais potente contra o crime organizado.

Zema também propõe a prisão obrigatória em audiências de custódia para criminosos reincidentes (pegos pela terceira vez). A ideia é alterar a lei para que a prisão em flagrante, nesses casos, seja imediatamente convertida em preventiva, impedindo o relaxamento da prisão e garantindo que infratores permaneçam detidos, transmitindo uma mensagem de intolerância à reincidência.

Outras propostas incluem a redução da maioridade penal em casos de crimes graves ou reincidência e um endurecimento geral da legislação penal. O documento também sugere "substituir o modelo atual, de regime fechado, semiaberto e aberto, por um modelo mais simples e efetivo de cumprimento de pena em que o preso cumpre uma parte em restrição de liberdade seguido de um período de liberdade condicional monitorada", visando maior eficácia no cumprimento das sentenças.

Desafios para os Próximos Anos

Luís Flávio Sapori, professor da PUC-Minas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, delineia os desafios cruciais para os próximos anos, independentemente do resultado eleitoral. O combate ao crime organizado surge como a prioridade máxima, pois "grupos criminosos estão vinculados também às milícias, ao comércio ilegal de armas de fogo. Você tem uma rede criminosa cada vez mais sofisticada e cada vez mais lucrativa, envolvendo segmentos diversos da sociedade, políticos, segmentos da própria justiça e segurança", alerta, destacando a complexidade da teia criminosa que mina a estabilidade social.

Sapori também aponta outros crimes que exigem atenção imediata, pelo impacto devastador na vida dos cidadãos:

  • os feminicídios, pela gravidade das vidas perdidas e o abalo à dignidade feminina;
  • os roubos, por serem o tipo de crime que mais afeta o dia a dia da população, gerando medo e prejuízos constantes; e
  • os crimes digitais, que estão vitimando cada vez mais os brasileiros, comprometendo sua segurança financeira e privacidade.

Para o especialista, o próximo governo deve concretizar, na prática, a implementação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Ele argumenta que "os desafios da segurança serão melhor enfrentados e terão mais eficácia se nós tivermos uma articulação de União, Estados e municípios", promovendo uma governança integrada para resultados mais efetivos.

A segurança pública, segundo Sapori, deveria replicar o modelo de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), com "tomada de decisões e com distribuição de recursos do Fundo Nacional de Segurança e do Fundo Penitenciário de acordo com o que for decidido por esse grande comitê de governança nacional". Isso garantiria coordenação e alocação eficiente de verbas.

Adicionalmente, o professor considera "fundamental a ideia de criar forças-tarefas para enfrentar o crime organizado" e insiste na necessidade de aprimorar os métodos de investigação das polícias civis estaduais. Ele lamenta que "as Polícias Civis no Brasil estão muito dependentes dos flagrantes da Polícia Militar; investigação criminal é uma exceção, e não a regra hoje no dia a dia. [O Brasil] Precisa de um plano nacional de fortalecimento das polícias civis como novo método de investigação", visando uma atuação mais estratégica e investigativa.

Por fim, Sapori ressalta que o sistema prisional "merece um lugar de muito destaque num plano nacional de segurança para o próximo quadriênio". O país necessita de uma política prisional que capacite os estados a ampliar o número de vagas e aprimorar a assistência aos presos. Para isso, o dinheiro do Funpen não pode se limitar a investimentos, mas deve também cobrir o custeio das unidades prisionais, considerado o maior gargalo atual.

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