SAÚDE PÚBLICA AMPLIADA

Mercado ganha 5 novas canetas de emagrecimento e pressiona preços no SUS

Canetas aplicadoras de semaglutida sobre mesa médica.
Novas opções de medicamentos à base de semaglutida ampliam mercado no Brasil.

Anvisa autoriza novas marcas de GLP-1 enquanto Ministério da Saúde prepara nova avaliação para incorporação do tratamento na rede pública em setembro.

O mercado brasileiro de medicamentos para emagrecimento acaba de ganhar cinco novas opções de tratamento. Nesta quarta-feira (29), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de novas canetas à base de semaglutida, uma decisão estratégica que visa ampliar a concorrência e pode abrir caminho para o acesso democrático ao fármaco pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As novas autorizações contemplam as marcas Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed), Orsema (Ranbaxy), Seemasun (Sun Farmacêutica) e Owozy (Ávita Care). A medida é um passo decisivo após a expiração da patente do medicamento original no Brasil, permitindo que fabricantes nacionais ofereçam alternativas com potencial de reduzir o custo para o consumidor final.

Embora o registro tenha sido concedido, a comercialização depende da definição do preço máximo de venda pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O Ministério da Saúde solicitou celeridade no processo, com expectativa de que os valores de referência sejam estabelecidos nas próximas semanas, seguindo a lógica de mercado iniciada com a chegada de versões genéricas anteriores.

O impacto desta decisão na dignidade dos pacientes é central para o debate. Atualmente, a obesidade afeta cerca de um quarto da população brasileira, com maior incidência entre pessoas de menor renda — justamente o público que depende exclusivamente do SUS. Sem o medicamento na rede pública, a única alternativa disponível para casos graves é a cirurgia bariátrica, que enfrenta filas de espera superiores a cinco anos e desigualdade regional na distribuição de centros especializados.

Clayton Macedo, médico endocrinologista e coordenador na Sociedade Brasileira de Endocrinologia, destaca que a ampliação da oferta é uma questão de equidade. “Não podemos ter apenas uma classe social com acesso a tratamento de verdade. O acesso ao medicamento não pode ser uma questão de status”, defende, reforçando que o controle da obesidade é vital para prevenir doenças cardiovasculares, diabetes e AVCs, que geram custos bilionários ao sistema público.

A possível inclusão da semaglutida no SUS será reavaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em setembro. Em rodadas anteriores, o alto custo da terapia foi o principal empecilho. Contudo, a nova realidade de mercado, com maior concorrência e propostas de descontos agressivos por parte dos laboratórios, renova a esperança de especialistas de que a pasta possa estruturar, enfim, um protocolo nacional que integre medicação e acompanhamento multidisciplinar, superando a visão meramente reducionista do tratamento.

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