PSDB racha ao meio na votação de denúncia contra Temer

A votação da denúncia contra o presidente Michel Temer explicitou o racha do PSDB desde que a crise mais aguda do governo começou, após a delação da JBS. Dos 47 deputados tucanos, 22 votaram pelo arquivamento da denúncia, 21 pela investigação de Temer e quatro se ausentaram. Outro partido aliado, o PPS, protagonizou traição proporcionalmente ainda maior ao governo, com nove dos dez deputados se posicionando contra Temer, inclusive Roberto Freire, que entregou o cargo de ministro da Cultura logo após a delação da JBS. Integrantes do governo avaliaram que o PSDB sairá “destroçado” do processo que resultou no arquivamento da denúncia. O partido ficou exposto após o debate, inconclusivo, sobre o desembarque da base aliada. Comandante de um dos quatro ministérios que o partido tem no governo, Bruno Araújo (Cidades), que se licenciou para votar contra a denúncia, minimizou a situação: — É do jogo. Aliado de peso do governo Temer, o PSDB decidiu na manhã de quarta-feira, após reunião da bancada da Câmara, que a orientação do partido seria para votar a favor do recebimento da denúncia contra o presidente. Mas uma tênue maioria contrariou a orientação do líder, Ricardo Tripoli (SP). O constrangimento entre os tucanos era evidente inclusive pelo fato de o relator do arquivamento da denúncia ter sido o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). No discurso em que orientou seus liderados a votar contra o governo, Tripoli frisou que, diferentemente da oposição, o PSDB não deseja o fracasso do governo, nem a “ruína do país”, mas pontuou que a sequência de escândalos causa desesperança na população. Apesar da orientação do partido, Tripoli liberou os tucanos a votar de acordo com suas consciências. — Na CCJ, cinco votaram a favor da denúncia e só dois contra. Isso é justificativa suficiente para orientar a favor da denúncia. A relatoria do Abi-Ackel não externou o que a maioria queria, e os ausentes de hoje (quarta-feira) votariam com a gente. Seriam três votos a mais para o nosso lado — disse Tripoli. Fonte: O GLOBO

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