CAOS POLÍTICO

Polícia Federal mira Ciro; PT exige CPI do Banco Master

Ciro Nogueira no Senado Federal em Brasília
Brasília – DF, 29 de abril de 2026 – Senador Ciro Nogueira durante sessão do Senado Federal — Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Ação em 07 de maio de 2026 abala campanha de Flávio Bolsonaro e acende alerta no Centrão.

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, que colocou o ex-ministro e presidente do PP, Ciro Nogueira, no centro de uma nova investigação, focada em suas ligações com o Banco Master. A decisão da PF, que tem o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como relator do caso, gera forte impacto na campanha de Flávio Bolsonaro e acende o alerta no Centrão, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) já explora o tema nas redes sociais e articula a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar as conexões.

Um levantamento da empresa AtivaWeb revelou que as redes sociais foram imediatamente inundadas por postagens que ligam Ciro Nogueira e o Banco Master ao movimento de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A repercussão negativa já se abate sobre essa ala política e, de forma contundente, atinge o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, figura central e um dos principais líderes do Centrão no Congresso Nacional. A associação imediata com investigações criminais fragiliza a imagem de um parlamentar influente e de um partido-chave na governabilidade.

Curiosamente, antes da operação da PF que ocorreu nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, aliados de Flávio Bolsonaro articulavam a defesa de investigações sobre possíveis elos entre o Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia e o próprio Banco Master. O jogo político, agora, inverteu completamente.

Com a nova frente de investigação, o campo político ligado a Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira agora se vê em uma posição defensiva. A estratégia atual passa por uma dependência inédita do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), figura-chave para barrar a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master no Congresso Nacional.

A defesa política do ex-ministro deve enfatizar que Ciro Nogueira ocupou a estratégica pasta da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, um papel de alta relevância. Contudo, os oponentes explorarão as articulações prévias que quase o colocaram como vice na chapa de Flávio Bolsonaro, evidenciando uma proximidade que agora se torna um fardo.

Como parte da investida governista, um vídeo de uma entrevista antiga de Flávio Bolsonaro, onde ele elogiava abertamente a possível candidatura de Ciro Nogueira como seu vice, já circula intensamente nas redes sociais. Na ocasião, Flávio declarou que “O perfil do Ciro é um bom perfil, é nordestino, um partido grande, forte, tem a lealdade que sempre teve ao presidente Bolsonaro no ministério dele. Sem dúvida nenhuma é um nome que está colocado.” A fala, antes um trunfo, agora serve como evidência de uma aliança sob escrutínio.

Nos bastidores políticos, a avaliação de governistas é unânime: a operação da Polícia Federal e o subsequente clamor por uma CPMI representam um claro recado do Supremo Tribunal Federal (STF). A mensagem sinaliza que as investigações podem se estender e alcançar outros expoentes do Centrão, incluindo figuras proeminentes como Davi Alcolumbre e Antônio Rueda, presidente do União Brasil. A pressão sobre o grupo se intensifica, ameaçando o equilíbrio das forças políticas.

No círculo próximo a Flávio Bolsonaro, a diretriz é de máxima cautela em relação à situação de Ciro Nogueira. Nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, Flávio divulgou uma nota pública, afirmando considerar “graves as informações divulgadas pela imprensa” e que “fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência” e com “respeito ao devido processo legal”.

O parlamentar ainda reforçou sua confiança na relatoria do caso, que está sob a condução do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma aparente tentativa de controlar a narrativa, Flávio Bolsonaro publicou, logo em seguida, um vídeo em que defende que “tudo tem que ser apurado até o fim”, “sem blindagem”, e ressalta a “obrigação do Congresso” de instalar a CPMI do Banco Master. A mudança de tom sugere a complexidade do cenário e a necessidade de se posicionar publicamente.

É importante ressaltar que, na semana passada, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, teria costurado um acordo com governistas. O pacto previa a realização de uma sessão do Congresso para derrubar vetos da dosimetria, em detrimento da instalação da CPMI do Banco Master – um procedimento exigido pelo regimento interno da Casa. A manobra agora é lembrada como um possível elo para evitar investigações mais profundas.

Em consonância com a posição de Flávio Bolsonaro, a líder do PP, Tereza Cristina, também se manifestou a jornalistas, defendendo a apuração rigorosa, mas sempre com a garantia da ampla defesa. “Tudo precisa ser investigado. Se existe alguma coisa, precisa ser investigada. Também tem que dar o direito de ampla defesa e não julgar antes de saber o resultado das investigações”, argumentou a parlamentar, ecoando a cautela que marca o posicionamento dos aliados neste momento delicado.

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