Novo presidente do Senado, ‘índio’ Eunício é acusado de receber propina para liberar MP para Odebrecht
EUNÍCIO LOPES DE OLIVEIRA ESTÁ NO PRIMEIRO MANDATO DE SENADOR, SOMADA A PRESIDÊNCIA DA CASA / FOTO SENADO
Eleito nesta quarta-feira, dia 1º, com 61 votos presidente do Senado e do Congresso Nacional, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) era conhecido entre os executivos da Odebrecht como o “índio”, apelido utilizado pelo chamado departamento de propinas da empreiteira para se referir ao parlamentar.
O ex-diretor de Relações Institucionais da empresa Cláudio Melo Filho afirmou em sua colaboração premiada que o agora segundo homem na linha de sucessão presidencial teria recebido cerca de R$ 2,1 milhões em propinas entre outubro de 2013 e janeiro de 2014.
Os acordos de delação premiada dos 77 executivos e ex-executivos da empreiteira foram homologados nesta semana pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, e já podem ser utilizados para investigações da Procuradoria-Geral da República.
O valor, segundo o delator, teria sido destinado para garantir o apoio do parlamentar à Medida Provisória 613, aprovada em agosto de 2013 pelo Senado e que desonerava a cadeia de produção do etanol e beneficiava a Odebrecht.
De acordo com Melo Filho, o pedido de propina para garantir a aprovação da medida partiu do senador Romero Jucá (PMDB-RR) em um encontro em seu gabinete. Jucá nega conduta ilícita.
“Pelo que me foi relatado pelo senador Romero Jucá, confirmando a sua posição de centralizador do recebimento de pagamentos e organizador dos repasses internos do PMDB, os pagamentos seriam destinados a membros do PMDB no Senado Federal, especificamente a ele e aos senadores Eunício de Oliveira e Renan Calheiros”, afirmou o delator.
Para Melo Filho, Eunício faz parte do “trio que efetivamente era o dono do PMDB do Senado”, em referência também a Jucá e a Calheiros, que deixou nesta quarta-feira a presidência da Casa.
“Desde que assumiu mandato de senador, em 2011, o senador Eunício também passou a ser representado pelo senador Romero Jucá. Percebia isso quando eu tratava com Romero Jucá, que deixava claro que seus pedidos e alinhamentos representavam também a vontade do senador Eunício Oliveira”, segue a delação de Melo Filho.
Melo Filho entregou aos investigadores a planilha do “departamento de propinas” da Odebrecht, que tinha um sistema de contabilidade próprio, com as indicações dos pagamentos ao “índio” e detalhou como eles teriam sido efetuados.
O executivo juntou inclusive trocas de e-mails da cúpula da Odebrecht na qual eles relatam a pressão de Eunício para receber dinheiro durante a tramitação da MP. Em uma mensagem para o então presidente do grupo Marcelo Odebrecht, no dia 28 de agosto de 2013, Cláudio Melo relata que Eunício havia obstruído a votação da proposta.
Fonte: Revista Isto É
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