BRIGA FAMILIAR NO PL
Mulheres do PL se dividem após saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher
Michelle Bolsonaro deixou a liderança do PL Mulher em meio a desentendimentos com o enteado Flávio Bolsonaro. Aliadas tentam manter a unidade.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, na terça-feira (30/6/2026), que deixará a presidência do PL Mulher. A decisão, comunicada após conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, visa dedicar-se integralmente aos cuidados com o marido e com a filha, Laura Bolsonaro. O anúncio intensifica a crise familiar e o racha público no PL, com a ala feminina da legenda buscando um delicado equilíbrio entre apoiar Michelle e não desamparar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.
Apesar da justificativa de Michelle, o desentendimento público com o enteado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, expôs as fissuras internas. Lideranças femininas do PL se desdobram para gerenciar a situação, oferecendo apoio a Michelle diante de ataques bolsonaristas, mas sem prejudicar a posição de Flávio no partido.
Seis parlamentares manifestaram apoio público a Michelle Bolsonaro. Entre elas estão as vereadoras Gislayne Yamashita (PL-MT), Carlise Kwiatkowski (PL-PR) e Priscila Costa (PL-CE), e as deputadas federais Carla Dickson (PL-RN) e Chris Tonietto (PL-RJ), além da pré-candidata a deputada federal Maria Amélia (PL-DF). Enquanto Priscila, Carlise e Maria Amélia lideram a organização de filiais do PL Mulher, Chris Tonietto e Carla Dickson dirigem o direcionamento político-ideológico no Congresso, e Gislayne foca no engajamento em bases municipais.
Priscila Costa, vice-presidente do PL Mulher e figura central no conflito entre Michelle e Flávio, elogiou a ex-presidente em publicação no Instagram. Ela destacou que a liderança de Michelle “fortaleceu mulheres em todo o Brasil” e consolidou um projeto com alcance nacional, ressaltando que seu trabalho foi um “ministério de acolhimento, incentivo e edificação”.
Entenda a crise
- O principal ponto de discórdia entre Michelle e Flávio Bolsonaro surgiu na disputa pela indicação do PL ao Senado no Ceará. Michelle apoiou a vereadora Priscila Costa, enquanto Flávio indicou o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL).
- Michelle relatou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” pelo enteado durante uma ligação telefônica, afirmando que aliados de Flávio articularam para retirá-la da disputa e promoveram ataques à sua imagem.
- Segundo a ex-primeira-dama, Priscila Costa teve papel decisivo na campanha de André Fernandes à Prefeitura de Fortaleza em 2024, mas foi preterida para viabilizar alianças políticas no estado.
Priscila Costa participou, em 1º/7/2026, de um encontro com Flávio Bolsonaro e mulheres do PL, em meio a tentativas de apaziguar os ânimos. Ela reiterou apoio à pré-candidatura de Flávio à Presidência, enfatizando a importância de “fidelidade e compromisso” para o Brasil e o Ceará.
Silêncio de outras lideranças
Diversas figuras proeminentes do bolsonarismo mantiveram-se em silêncio sobre a saída de Michelle. Entre elas estão a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), presidente do PL Mulher de Santa Catarina, e as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC), Soraya Santos (PL-RJ), Carol De Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF). Bia Kicis, amiga de Michelle, esteve presente em reunião com Flávio e declarou apoio a ele, minimizando o desentendimento entre madrasta e enteado.
“A gente precisa acalmar os ânimos. O nosso inimigo é o PT, a esquerda”, declarou Bia Kicis, que também afirmou apoio a Flávio: “Foi ele que o Bolsonaro indicou. Flávio é o nosso líder e será o nosso presidente”. Parlamentares procuradas não comentaram o caso.
A crise, que começou no fim de 2025 com discussões sobre estratégias eleitorais, especialmente no Ceará, expôs um dos maiores rachas públicos da família Bolsonaro e do PL, afetando a imagem e a unidade do partido.
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