CRISE ABERTA

Fábio Dantas expõe doença do RN e cobra reformas

Fábio Dantas, ex-vice-governador do RN, em entrevista, falando sobre a crise do Estado.
Fábio Dantas critica a situação fiscal do Rio Grande do Norte durante entrevista à 95 FM.

Ex-vice-governador critica pré-candidatos por evitarem debate sobre medidas para recuperação fiscal do Estado.

Em uma crítica contundente feita nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, o ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) denunciou a grave crise administrativa e fiscal que assola o Rio Grande do Norte, afirmando que o Estado está “doente” e necessita de reformas profundas. A declaração, proferida durante entrevista à 95 FM, sublinha a urgência de debater medidas que impactam diretamente a capacidade do Estado de investir em áreas essenciais e garantir a dignidade da população, uma vez que a ausência de soluções afeta a saúde pública, a educação e o futuro dos cidadãos potiguares.

Dantas não poupou palavras, descrevendo o Rio Grande do Norte como um “estado doente, extremamente doente”, com um “câncer enorme nas suas finanças públicas”, durante sua participação no programa Radar 95. Ele enfatizou que a atual crise não decorre de uma única gestão, mas de uma sucessão de decisões políticas que exauriram a capacidade de investimento do Estado, comprometendo a prestação de serviços básicos e a qualidade de vida dos cidadãos.

A contundente fala de Dantas surge em meio à discussão sobre o destino da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Ele abordou a repercussão das declarações de Álvaro Dias (PL), que sugeriu estudos para a federalização da universidade. Dantas recordou que, durante sua campanha ao Governo em 2022, quando alcançou o segundo lugar, também enfrentou críticas por supostamente defender a privatização ou federalização da Uern, algo que, conforme ele, não constava em seu plano de governo.

“Nosso plano de governo previa, sim, uma solução para a Uern que não envolvia nem federalização nem privatização”, reiterou Dantas. Ele defende que o debate sobre a universidade seja embasado em dados concretos, livre de interesses eleitorais. Para o ex-vice-governador, o ensino superior público estadual deveria receber uma complementação financeira federal, nos moldes do Fundeb, para desafogar as contas estaduais.

Segundo Dantas, nenhum Estado deveria ser obrigado a manter o ensino superior quando já enfrenta desafios significativos para cumprir suas responsabilidades com a educação básica e média. Ele propõe que o Governo Federal destine recursos por aluno às unidades federativas que mantêm suas próprias universidades. “Isso traria um alívio financeiro crucial, permitindo que o que hoje onera o caixa da Uern seja investido em áreas deficitárias como a saúde pública, a educação básica e a educação média, melhorando a vida de milhares de potiguares”, pontuou.

Dantas também teceu críticas à condução da atual pré-campanha eleitoral para 2026. Na sua análise, os principais pré-candidatos demonstram mais interesse em conquistar a vitória nas urnas do que em propor um plano concreto para reestruturar o Estado. “Os candidatos não parecem preocupados em realmente melhorar o Rio Grande do Norte, pois até o momento, nenhum deles apresentou qualquer proposta substantiva”, observou.

O ex-vice-governador enfatizou que o próximo gestor do RN precisará realizar “cirurgias” administrativas profundas para restaurar a capacidade de governança estadual. Ele declarou que, caso tivesse sido eleito em 2022, não hesitaria em adotar medidas impopulares, ciente dos riscos eleitorais. “Eu teria feito as intervenções necessárias para tentar mitigar os problemas e entregar um Estado em condições melhores ao meu sucessor, pensando no bem-estar da população”, afirmou, ressaltando a urgência de ações corajosas.

Ao analisar os pré-candidatos que despontam para a disputa, Dantas expressou ceticismo. Ele sugeriu que Allyson Bezerra (União Brasil), por ser um político em ascensão com foco na reeleição, talvez evite as reformas indispensáveis. Sobre Álvaro Dias, Dantas pontuou que, em sua gestão como prefeito de Natal, não implementou as reformulações estruturais que o Estado agora exige. Já em relação a Cadu Xavier (PT), reconheceu seu conhecimento dos problemas do Rio Grande do Norte, dada sua participação nas gestões estaduais recentes.

“Contudo, na campanha eleitoral, ninguém se manifesta sobre o que realmente fará. Podem esquecer: nenhum deles irá dizer”, prognosticou, com um tom de desilusão.

Dantas reiterou a necessidade de uma reforma administrativa profunda para o RN, mas destacou que ela não deve focar em demissões. Em vez disso, propõe a criação de regras mais claras e objetivas, que protejam os servidores de decisões governamentais anuais e, mais importante, que garantam que a população não continue privada de recursos essenciais em setores vitais como saúde e infraestrutura.

Como exemplo do potencial subaproveitado, Dantas mencionou o Centro Industrial de Macaíba, que, apesar de sua capacidade de gerar receita, ainda padece com problemas de infraestrutura. Ele também defendeu a redução de impostos como estratégia para aumentar a competitividade do Estado. “Para construir um Rio Grande do Norte competitivo, é imperativo reduzir a carga tributária; aumentar impostos aqui não é uma opção viável”, concluiu.

Dantas também esclareceu sua ausência na disputa de 2026. Ele revelou que, em 2022, aceitou ser candidato ao Governo do Estado porque “ninguém queria ser”. Atualmente, o cenário eleitoral apresenta “muito cacique”, na sua avaliação. Após a derrota no pleito anterior, ele retornou à iniciativa privada, dedicando-se às suas empresas. “Não fui candidato principalmente porque não fui procurado. Mantive o foco no meu trabalho e, como perdi, parece que acabei desaparecendo do radar político”, ponderou.

Questionado sobre o PSDB, Dantas informou que o partido ainda debate seu posicionamento para a chapa majoritária, com pré-candidatos proporcionais alinhados a diferentes nomes ao Governo. Ele defendeu que o presidente da legenda e da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), deveria ter um papel mais ativo no cenário político e que qualquer aliança deve, primordialmente, ser construída a partir de um plano de governo consistente.

“É inviável apoiar um candidato que não apresente um plano robusto para transformar ou, no mínimo, aprimorar a situação do Rio Grande do Norte”, concluiu.

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