Representação
Deputados levam à PGR encontros de Flávio Bolsonaro com Trump e Rubio
Representação questiona se articulação do senador com autoridades dos EUA, que resultou na classificação de facções como "terroristas", configura crime contra o Brasil. Parlamentares citam "lobby agressivo" e pedem investigação.
Deputados da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar se o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, cometeu crime contra a soberania nacional. A decisão de levar o caso à PGR ocorreu neste sábado, 30 de maio de 2026, com o objetivo de investigar se os encontros do senador com autoridades norte-americanas configuram atentado à soberania do Brasil. A ação importa ao debate público por levantar questionamentos sobre a condução das relações internacionais e a atuação de congressistas em negociações com governos estrangeiros.
O documento apresentado pelos parlamentares fundamenta o pedido de investigação citando reportagens da imprensa norte-americana. Segundo os congressistas, veículos de comunicação dos EUA atribuíram a decisão do governo Trump a meses de “lobby agressivo dos filhos do ex-presidente preso, Jair Bolsonaro [PL]”.
A representação foca nos encontros realizados por Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O governo norte-americano anunciou na quinta-feira, 28 de maio, que classificaria o PCC e o Comando Vermelho como organizações “terroristas”. O senador utilizou seu perfil nas redes sociais para celebrar a decisão do governo Trump, afirmando em seu perfil oficial no X que Marco Rubio atendeu a um pedido dele e de Trump para classificar facções criminosas brasileiras como “narcoterroristas”.
A ação foi encabeçada pela deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS). Além dela, assinam o documento os deputados Chico Alencar (Psol-RJ), Duda Salabert (Psol-MG), Heloísa Helena (Rede-RJ), Luiza Erundina (Psol-SP), Luizianne Lins (PT-CE) e Sâmia Bomfim (Psol-SP). De acordo com o documento, a condução das relações internacionais é competência privativa do presidente da República, o que indicaria que um congressista não teria legitimidade para negociar medidas dessa natureza com governos estrangeiros.
Segundo os deputados, a conduta de Flávio pode ter caracterizado atentado à soberania nacional, crime tipificado no Código Penal brasileiro. A representação argumenta ainda que o senador não estaria protegido pela imunidade parlamentar neste caso, que cobre apenas opiniões, palavras e votos relacionados ao exercício do mandato. Os governistas solicitam a instauração de inquérito policial federal para apurar os fatos e pedem a adoção das medidas administrativas e civis pertinentes ao caso. A representação requer, ainda, que a PGR comunique o Tribunal Superior Eleitoral sobre o caso, para que o tribunal avalie se houve abuso de poder ou influência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
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