"MEMÓRIA SELETIVA"

Críticas à gestão de Fátima Bezerra geram forte reação do líder do governo na Assembleia legislatva

Deputado Francisco do PT em plenário, reagindo a declarações políticas no Rio Grande do Norte.
Francisco do PT reage às críticas de José Dias à gestão da governadora Fátima Bezerra na Assembleia Legislativa do RN.

Deputado oposicionista José Dias classifica o governo como 'o pior', e Francisco do PT defende a administração, apontando para crises herdadas e desafios superados, com foco no impacto para o servidor potiguar.

O cenário político do Rio Grande do Norte esquentou com o líder do governo na Assembleia Legislativa, Francisco do PT, reagindo de forma veemente às críticas do deputado oposicionista José Dias (PL). O embate, que veio à tona após José Dias classificar a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) como "o pior governo da história do Rio Grande do Norte" durante uma sessão plenária, revela profundas divergências sobre o presente e o passado administrativo do estado e o impacto direto na vida dos cidadãos.

As declarações de José Dias, decano da Assembleia aos 86 anos, ecoaram no plenário. Ele não poupou a administração atual, acusando-a de utilizar a máquina pública para fins políticos e de privilegiar "os dela", em contraponto à afirmação do pré-candidato governista Cadu Xavier (PT) de que seria a melhor gestão dos últimos 20 anos. "Foi o melhor governo… para os dela. Aí está certo", ironizou o deputado, que já anunciou sua aposentadoria das urnas.

Para José Dias, a governadora Fátima Bezerra se recusou a renunciar ao cargo em março para disputar o Senado exatamente por não querer abrir mão do controle da estrutura governamental. Ele descreveu a gestão como um "governo de benefícios, de compadrio, de favores ilícitos, um governo que se apropriou do Rio Grande do Norte para beneficiar apenas a companheirada", pintando um quadro sombrio da administração estadual.

Em resposta, Francisco do PT contra-atacou em entrevista ao jornal O CORREIO DE HOJE, desqualificando as críticas como fruto de uma "memória seletiva". O líder governista questionou a postura de José Dias em governos anteriores. "Quero saber em qual estado ele foi deputado antes do governo de Fátima, nos dois governos anteriores. Na pior das hipóteses, ele apoiou o caos em que o estado estava mergulhado. Ou, na melhor das hipóteses, ele se omitiu", declarou Francisco.

Francisco do PT enfatizou que o deputado oposicionista não demonstrou a mesma veemência ao criticar gestões passadas, que, segundo ele, mergulharam o RN em crises fiscais e administrativas, com atrasos salariais, insegurança pública e o abandono da educação. "O deputado José Dias tem memória seletiva", reiterou, argumentando que a oposição é "muito forte para fazer oposição ao governo da professora Fátima, mas no mínimo foi omisso em relação aos governos passados, que de fato destruíram o Rio Grande do Norte."

O líder do governo também trouxe à tona a questão do atraso no repasse de consignados, um tema sensível para os servidores estaduais, defendendo a gestão. Ele lembrou que, apesar das dificuldades reais com consignados, a governadora manteve os salários em dia, um contraste marcante com o passado. "O servidor e a servidora sabem que, apesar das dificuldades — que são reais, dos consignados —, todo final de mês eles podem fazer conta que o salário vai estar na conta. A governadora não atrasou uma folha de salário até hoje e ainda pagou quatro atrasadas", afirmou Francisco, relembrando que em governos anteriores os servidores "financiavam o Estado" com salários e consignados atrasados.

Adicionando uma camada de análise pré-eleitoral, Francisco do PT alertou a população para a "seletividade" da oposição e a retórica dos "profetas do apocalipse". Ele questionou se o retorno dos que "quebraram o nosso estado e arruinaram o RN" seria de fato uma solução. "Destruído estava quando Fátima Bezerra o herdou para administrar. Será que a volta desse pessoal representaria solucionar os problemas ou quebrar novamente o nosso estado, inclusive atrasando salários dos servidores?", indagou o parlamentar, reforçando a importância de o eleitorado analisar o cenário herdado pela atual gestão ao ponderar as críticas.

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