CRIME CONTRA CRIANÇA

Polícia Civil aponta uso de gelo para ocultar tortura contra bebê

Delegado da Polícia Civil concedendo entrevista sobre o caso de tortura contra bebê em São João da Boa Vista.
Delegado Fabiano Antunes de Almeida detalha as investigações do caso em São João da Boa Vista- Foto: Reprodução/EPTV

Mãe e padrasto foram presos após investigações revelarem meses de agressões físicas, uso indevido de medicamentos e submissão da criança a sessões de tortura.

A Polícia Civil de São João da Boa Vista (SP) revelou detalhes chocantes sobre a rotina de violência enfrentada por um bebê de 1 ano. Em apuração concluída na segunda-feira (31/08/2026), investigadores confirmaram que a mãe da criança utilizava gelo na tentativa de ocultar hematomas causados por agressões sistemáticas. O caso, que envolve suspeitas de tortura e tentativa de homicídio, culminou na prisão preventiva do casal.

Segundo o delegado Fabiano Antunes de Almeida, as agressões ocorriam em locais de pouca visibilidade do corpo da criança, como nádegas e solas dos pés, utilizando utensílios domésticos. A defesa dos acusados informou à EPTV que ainda não teve acesso aos laudos que fundamentaram a prisão e que pretende esclarecer a realidade dos fatos durante a tramitação do processo, que corre em segredo de Justiça.

A crueldade contra o menino, que durou cerca de quatro meses, incluía privação de sono, isolamento e a administração indevida de Diazepam. Investigações apontam que o padrasto orientava a mãe via mensagens sobre como agredir o menor, submetendo-o a episódios graves, como enforcamento e imersão em bacia com água quente. A prática de tortura, de acordo com o apurado, ocorria em ciclos repetitivos.

O quadro de saúde da criança tornou-se crítico em 19/06/2026, quando deu entrada em um hospital local com traumatismo craniano, hematoma subdural e hemorragias retinianas. O bebê chegou à unidade de saúde praticamente sem sinais vitais após uma parada cardiorrespiratória. O atendimento médico preciso foi determinante para identificar a incompatibilidade entre o estado clínico e a versão apresentada pelos responsáveis, levando à internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Campinas por um mês.

A denúncia foi formalizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) com base na Lei Henry Borel. O delegado ressaltou que a tipificação penal foi elevada para tentativa de homicídio qualificado e tortura, crimes que, em caso de condenação, podem resultar em penas superiores a 30 anos de reclusão.

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