CIÊNCIA
UFRN revoluciona detecção de DNA em segundos
Estudo internacional da UFRN desenvolve biossensores ultrarrápidos, abrindo portas para diagnósticos médicos e monitoramento ambiental ágil.
Um avanço científico com potencial transformador para a saúde e o meio ambiente foi revelado nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em uma colaboração internacional que incluiu a Tsinghua University, na China, e o apoio da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), concluíram um estudo sobre a detecção ultrarrápida de moléculas de DNA. A decisão de desenvolver esta pesquisa inovadora, motivada pela busca por diagnósticos mais ágeis e monitoramento ambiental eficiente, resultou na criação de biossensores de alta sensibilidade. Publicada na prestigiada revista científica ACS Nano Medicine, a descoberta é crucial porque oferece a perspectiva de ferramentas portáteis capazes de identificar sinais vitais e poluentes em questão de segundos, melhorando significativamente a dignidade humana através de diagnósticos precoces e ambientes mais seguros.
Liderado pelo professor Bruno R. Carvalho, do Departamento de Física da UFRN, o trabalho investigou a aplicação do dissulfeto de molibdênio (MoS₂). Este material semicondutor ultrafino, com espessura de poucos átomos, demonstra um potencial extraordinário para o desenvolvimento de biossensores de alta precisão. A inovação reside na forma como o MoS₂ interage com moléculas derivadas de DNA.
Na prática, quando o MoS₂ é exposto a soluções contendo essas moléculas, o contato superficial provoca alterações eletrônicas, um fenômeno conhecido como dopagem. Essas mudanças alteram as propriedades do material, e são estas alterações que os pesquisadores monitoram. Utilizando a espectroscopia Raman, uma técnica que emprega laser para identificar variações nas vibrações atômicas, a equipe consegue detectar a presença das moléculas em um piscar de olhos — em questão de segundos.
Embora o foco inicial do estudo seja a compreensão aprofundada dos mecanismos físicos envolvidos, o professor Bruno R. Carvalho destaca que os resultados pavimentam o caminho para a criação de biossensores portáteis. Esses dispositivos terão aplicações vastas e impactantes, desde diagnósticos médicos mais rápidos e precisos – que podem salvar vidas ao identificar doenças em estágios iniciais – até o monitoramento ambiental de poluentes, contribuindo para ecossistemas mais saudáveis e seguros para todos.
O grupo de pesquisa da UFRN, dedicado ao estudo de nanomateriais e técnicas de espectroscopia óptica, concentra-se nas propriedades eletrônicas e ópticas de materiais ultrafinos. As pesquisas, conforme ressaltado pelo professor, são vitais para o avanço na caracterização de nanomateriais e para o desenvolvimento de tecnologias de detecção inovadoras, que beneficiarão diretamente a sociedade.
Além dos impactos práticos, a equipe enfatiza que esses estudos elevam a visibilidade internacional da UFRN e fortalecem as colaborações científicas globais na área de nanotecnologia, posicionando o Brasil na vanguarda da ciência.
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