Punição

Prefeitura de Natal multa Caern em R$ 3 milhões por vazamento de esgoto em Ponta Negra

Praia de Ponta Negra com área da engorda visível, local afetado por vazamento de esgoto.
Área da engorda da praia de Ponta Negra, afetada pelo vazamento de esgoto.

Multa milionária foi aplicada após fiscalização constatar lançamento irregular de esgoto na galeria pluvial, impactando a praia de Ponta Negra.

A Caern foi multada em R$ 3 milhões pela Prefeitura de Natal após uma fiscalização identificar que esgoto da rede da companhia estaria sendo lançado na galeria de drenagem pluvial e alcançando a área da engorda da praia de Ponta Negra. A decisão, tomada nesta terça-feira, 26 de março de 2026, pela Prefeitura de Natal, por meio das secretarias municipais de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e de Infraestrutura (Seinfra), visa responsabilizar a concessionária por danos ambientais significativos.

A irregularidade foi constatada durante uma operação no dissipador 8, localizado no fim da Rua Halley Maestrinho, na orla. Técnicos encontraram problemas estruturais na rede de esgotamento, como infiltrações e vazamentos, com escoamento irregular pelas paredes e pelo piso da galeria. De acordo com a supervisora da Fiscalização de Água e Solo da Semurb, Rejanne Alves, a galeria de drenagem, que deveria estar seca, recebia efluentes da rede de esgoto, provocando acúmulo e dispersão na área da engorda.

A situação reforça preocupações já apontadas por órgãos de controle. No início de março de 2026, o Ministério Público Federal informou que perícias técnicas identificaram falhas estruturais, galerias obstruídas e indícios de mistura entre água da chuva e esgoto no sistema de drenagem da engorda. A Prefeitura informou que os Poços de Visita operavam próximos do limite de capacidade, o que teria provocado infiltrações severas e vazamentos para a galeria pluvial. A estrutura interna de um dos poços estava danificada, permitindo o vazamento para a rede de águas pluviais.

O supervisor-geral de Fiscalização da Semurb, Leonardo Almeida, classificou o cenário como crítico, destacando que medidas pontuais não seriam suficientes sem uma intervenção completa da Caern. A multa foi aplicada com base na Lei de Crimes Ambientais e no Decreto Federal nº 6.514/2008, considerando uma vazão estimada de 0,96 metro cúbico por hora de esgoto despejado de forma irregular. Registros técnicos indicariam a presença de esgoto no dissipador desde 13 de janeiro de 2026.

O secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Thiago Mesquita, afirmou que novas inspeções serão intensificadas em dissipadores e galerias da região. O objetivo é identificar possíveis pontos de contaminação e cobrar as medidas corretivas necessárias, resguardando a dignidade e a saúde pública dos cidadãos que frequentam a praia.

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