CIDADES RESILIENTES

Ministérios e UFRN fortalecem Natal contra desastres climáticos

Ministérios e UFRN fortalecem Natal contra desastres climáticos

Iniciativa foca em formação e mobilização comunitária nos dias 16 e 17 de abril, com investimentos de mais de R$ 186 milhões na proteção de comunidades vulneráveis.

Nos dias 16 e 17 de abril, os Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e das Cidades, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lideram em Natal a 9ª Campanha Nacional "Cidades Sem Risco". A iniciativa visa capacitar e mobilizar a população para a prevenção de desastres, fortalecendo a resiliência urbana e protegendo vidas frente aos desafios climáticos que impactam, sobretudo, as periferias.

A programação tem início no dia 16 de abril, na UFRN, reunindo educadores, estudantes, líderes comunitários, representantes do poder público, Defesas Civis e Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs). Já no dia 17 de abril, as atividades se estendem a territórios e comunidades locais, integrando um projeto de pesquisa com a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, ampliando o alcance das ações de adaptação às mudanças climáticas e saúde na região.

O objetivo central da campanha é fortalecer a atuação integrada entre escolas, comunidades e instituições públicas, especialmente em regiões vulneráveis a desafios socioambientais e eventos extremos. A meta é ampliar a capacidade de prevenção e resposta, evitando que emergências se agravem e causem danos maiores à população.

Rachel Trajber, coordenadora do Programa Cemaden Educação, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, enfatiza: "A campanha vai além de um evento pontual, ela estimula processos contínuos nos territórios. Quando escolas, instituições e comunidades se envolvem, o conhecimento se amplia, circula e se transforma em ação concreta, fortalecendo a organização local e contribuindo para a proteção de vidas."

Samia Sulaiman, coordenadora de Articulação e Parcerias da Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades, reforça a importância: "Os impactos dos desastres recaem de forma mais intensa sobre populações em maior situação de vulnerabilidade. Por isso, investir em educação, informação e mobilização nos territórios é fundamental para fortalecer as comunidades e avançar na construção de cidades mais preparadas e resilientes diante dos riscos climáticos."

Durante os dois dias, a campanha promove encontros formativos e atividades em campo, focadas na troca de experiências e na construção de campanhas locais de prevenção. A proposta é clara: fortalecer redes locais, qualificar os atores dos territórios e transformar conhecimento em ação concreta, contribuindo para cidades mais preparadas diante dos riscos climáticos. A prevenção, conforme a campanha, começa no cotidiano das comunidades, por meio da informação, da educação e da mobilização coletiva.

Em Natal, a prevenção de riscos integra uma política pública articulada pelo Ministério das Cidades. Esta política une educação, ciência e desenvolvimento urbano com infraestrutura, priorizando a justiça climática, especialmente nas periferias, onde os impactos dos eventos extremos são mais intensos e devastadores.

O município já implementou o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), desenvolvido em parceria com a UFRN, com um investimento de R$ 650 mil da Secretaria Nacional de Periferias. Além disso, a comunidade do Jacó, na região leste da cidade, terá uma obra de contenção de encostas pelo Novo PAC (seleção 2025), com um repasse de R$ 34,9 milhões.

Pelo programa Novo PAC Urbanização de Favelas, Natal receberá mais de R$ 150,8 milhões em investimentos em comunidades como África, Jacó, Nossa Senhora da Apresentação, Capitão Mor Gouveia, Detran, Parque das Dunas, Alagamar, Via Sul, Mãe Luíza e Maruim. Esses recursos beneficiarão cerca de 25 mil famílias com obras de infraestrutura, moradia e adaptação às mudanças climáticas, impactando diretamente a dignidade e segurança dessas populações.

No Rio Grande do Norte, a prevenção também conta com o apoio de uma robusta rede de monitoramento coordenada pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O estado possui cerca de 30 municípios monitorados, com uma estrutura que inclui aproximadamente 43 pluviômetros automáticos, 20 estações Acqua e 3 estações Agro. Somente em Natal, estão instalados 8 pluviômetros automáticos.

Esses equipamentos monitoram, em tempo real, dados cruciais como volume de chuvas, umidade do solo e variáveis climáticas, contribuindo tanto para a prevenção de eventos extremos quanto para o acompanhamento de períodos de seca. As informações são enviadas para a Sala de Situação do Cemaden, em São José dos Campos, e disponibilizadas em plataformas públicas acessíveis às Defesas Civis e à população, garantindo transparência e agilidade na resposta.

Entre 2016 e 2025, o estado registrou 188 alertas, majoritariamente relacionados a riscos hidrológicos, como alagamentos e inundações, além de ocorrências geo-hidrológicas, como deslizamentos. Esses dados reforçam a urgência do monitoramento contínuo e da articulação entre poder público e comunidades para reduzir riscos e fortalecer a capacidade de resposta nos territórios mais vulneráveis.

As atividades da campanha ocorrerão conforme a seguinte agenda:

No dia 16 de abril, das 08h30 às 12h30, o Encontro Formativo Presencial “Cidade Sem Risco começa na minha comunidade” será realizado no Auditório B (CCHLA) da UFRN, localizado na Rua das Humanidades, Campus Universitário, Natal (RN).

No dia 17 de abril, as atividades serão direcionadas para as comunidades locais, como parte das ações do projeto PACHA. Mais informações sobre a campanha podem ser encontradas no site oficial: https://educacao.cemaden.gov.br/campanhacidadeslp/

A 9ª edição da campanha "Cidades Sem Risco" mobiliza escolas, comunidades e iniciativas populares em torno da educação para a redução de riscos de desastres. Ela reforça a premissa de que desastres não são naturais, mas sim resultado de vulnerabilidades sociais e territoriais que precisam ser enfrentadas. A iniciativa integra políticas públicas de educação, ciência e desenvolvimento urbano, fortalecendo a prevenção como eixo estruturante da justiça climática nos territórios mais vulneráveis.

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