CRÍTICAS E RESPOSTAS

Mesquita defende engorda de Ponta Negra após alagamentos

Vista aérea ou foto da praia de Ponta Negra em Natal com espelhos d'água formados após a chuva na faixa de areia recém-engordada.
Espelhos d’água se formam na faixa de areia da praia de Ponta Negra, Natal, após fortes chuvas.

Secretário de Meio Ambiente e Urbanismo detalha funcionamento da drenagem e refuta falhas, defendendo projeto essencial para Natal.

A faixa de areia ampliada na praia de Ponta Negra, em Natal, voltou a ser palco de intensos debates e preocupações. O secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, Thiago Mesquita, veio a público para esclarecer e rebater as críticas que surgiram após a área amanhecer com grandes espelhos d’água na sexta-feira, 24 de abril de 2026, resultado das fortes chuvas. A situação, que gerou ampla repercussão, levanta questionamentos cruciais sobre a execução e o impacto da obra de engorda, um projeto vital para a dignidade e a segurança dos moradores e frequentadores da orla, além de impactar diretamente o turismo local.

As imagens de alagamento, especialmente nas proximidades da Rua Erivan França, provocaram uma onda de dúvidas e descontentamento. O vídeo do secretário Thiago Mesquita, que circulou nas redes sociais, intensificou o debate, levando a questionamentos sobre o licenciamento ambiental, a eficiência da drenagem, a qualidade da areia e os possíveis efeitos no Meio Ambiente.

Em entrevista à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, Mesquita abordou as principais indagações, refutando acusações de pressa, suposta pressão sobre o Idema, falhas na drenagem e a presença de esgoto, além de defender a qualidade da intervenção.

A obra foi feita às pressas, com pressão sobre o Idema ou problemas na areia e drenagem?

“Esse conjunto de questionamentos não tem fundamento”, declarou Thiago Mesquita. Ele enfatizou que o processo de licenciamento ambiental começou em 2017, com uma tramitação que exigiu estudos e complementações técnicas por parte do município, desmentindo qualquer sugestão de agilidade inadequada.

O secretário também negou qualquer pressão indevida sobre o Idema, embora tenha admitido frustração com prazos que não se concretizavam. Mesquita ressaltou a urgência do projeto, motivada pelo avanço da erosão costeira que ameaçava a orla de Ponta Negra.

Sobre a execução, o secretário garantiu que a obra foi “muito bem feita”, com rigoroso planejamento e múltiplas camadas de fiscalização pela Seinfra e por empresas contratadas via licitação, como a DTA Engenharia, reconhecida por sua experiência em engordas de praia. A supervisão de outra empresa e o acompanhamento de instituições acadêmicas reforçaram o cuidado, “quebrando qualquer narrativa de que foi uma obra feita de qualquer jeito”, segundo ele.

“A execução foi perfeita, a ponto de estarmos aí, hoje, com o aterro hidráulico cumprindo rigorosamente e a drenagem também, a sua função, mesmo diante de chuvas tão intensas”, afirmou Mesquita.

Houve invasão ou pressão sobre o IDEMA para liberar a licença?

Mesquita classificou essa acusação como “a mentira mais absurda”, que teria sido “muito trabalhada politicamente”. Ele explicou que uma reunião foi organizada pelo trade turístico, não pelo município, e sua participação ocorreu a convite. Relatou que a presença de um grupo maior e manifestações do lado de fora, com gritos por liberação da licença, gerou um “pequeno excesso de um ou de outro, que balançou o portão, por alguns segundos”.

Entretanto, o secretário negou qualquer invasão ou dano, afirmando que “não houve quebra de portão” e que “a polícia militar não foi chamada”. A reunião, segundo ele, ocorreu normalmente e foi “bastante produtiva” para o andamento do processo.

Os alagamentos revelam falha na obra e ausência de drenagem?

Para Thiago Mesquita, essa interpretação é “completamente insustentável”. Ele detalhou que o sistema de drenagem foi projetado com 16 dissipadores para reduzir a velocidade da água da chuva e prevenir a erosão. Diferente do cenário anterior, quando a água descia como enxurrada, agora ela é controlada. Os “espelhos d’água”, esclareceu, são apenas água da chuva e parte do funcionamento do sistema, com infiltração ocorrendo geralmente em menos de 24 horas. “Nós tivemos essa chuva de 136mm em Ponta Negra, hoje já recebi imagem que 100% da água já foi infiltrado”, exemplificou.

O secretário também relativizou o impacto no uso da praia, observando que “ninguém frequenta em lugar nenhum do mundo quando está um toró chovendo”.

Existe esgoto misturado à água da chuva na praia?

Mesquita reconheceu a ocorrência de esgoto, mas dissociou o problema da obra de engorda. “Sim, desce esgoto, por ligações clandestinas, é uma quantidade muito pequena”, admitiu. Ele explicou que a presença de coliformes fecais pode tornar a praia imprópria para banho temporariamente, mas ressaltou que “isso não tem a ver com a obra da engorda, isso não tem a ver com a drenagem”. O secretário apontou a “falta de educação da população” e a “falta de eficiência da Caern” no tratamento como fatores causadores.

A Prefeitura, por sua vez, intensifica a fiscalização, aplicando multas e realizando tamponamentos em tubulações. Entre 2025 e 2026, foram feitas 52 ações, com cerca de 120 imóveis vistoriados, 73 autos de infração e aproximadamente R$ 500 mil em multas aplicadas, além de seis tamponamentos por descumprimento.

A Prefeitura reconhece problemas na obra?

Thiago Mesquita negou uma postura defensiva cega, afirmando que a Prefeitura reconhece “pelo menos quatro grandes desafios”. Entre eles, mencionou a presença de rodolitos na areia, a adaptação da faixa à dinâmica do mar, a coloração inicial da areia e, apesar de defendê-los como solução técnica, os espelhos d’água.

Sobre os espelhos d’água, ele informou que o município estuda melhorias para ampliar a retenção da água antes que ela alcance a faixa de areia, com o objetivo de reduzir seu tamanho e extensão. “Isso vai fazer com que esses espelhos de água sejam cada vez menores e que sejam também cada vez menos extensos”, finalizou.

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