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Maus-tratos contra animais persistem no RN, diz Sesed/RN

Cachorros e gatos resgatados em abrigo de animais da ASPAN/RN no Rio Grande do Norte.
Animais resgatados pela ASPAN/RN aguardam por adoção em abrigo do Rio Grande do Norte.

Casos somam 131 em 3 meses de 2026; ASPAN/RN alerta para risco de zoonoses e abandono.

Nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesed/RN) divulgou que o Rio Grande do Norte registrou 131 casos de maus-tratos contra animais nos primeiros três meses de 2026. Embora este número represente uma queda de 14,4% em comparação com o mesmo período de 2025, os dados acendem um alerta urgente para a urgência de proteger a dignidade animal e salvaguardar a saúde pública, frequentemente impactada por doenças transmitidas por animais em situação de vulnerabilidade.

Natal continua a liderar o ranking de municípios com mais ocorrências, somando 39 registros entre janeiro e março deste ano, com uma redução de 15% em relação ao período anterior. Parnamirim e Mossoró seguem com 9 casos cada, enquanto Extremoz contabilizou 7 e São Gonçalo do Amarante (SGA/RN) também figura na lista, evidenciando uma realidade desafiadora que se estende por diversas cidades potiguares.

Vitor Emanuel, supervisor operacional da Associação de Proteção aos Animais (Aspan) do Rio Grande do Norte, em fase de conclusão da graduação em Medicina Veterinária, detalha a brutalidade por trás dos números. Ele relata casos chocantes de agressão e abandono, como um animal que foi vítima de pauladas e escaldado com água quente, resultando em múltiplas cicatrizes e queimaduras. Outro cão foi encontrado preso em um carro na BR-101, sem água ou comida, exemplificando a crueldade que muitos animais enfrentam diariamente. O abandono, muitas vezes à porta da ASPAN/RN, é uma realidade constante.

Atualmente, a ASPAN/RN, que atua com foco no resgate, acolhe cerca de 500 animais e conta com uma equipe de 17 funcionários dedicados. Vitor Emanuel ressalta a importância de a população formalizar as denúncias na Delegacia Especializada de Defesa ao Meio Ambiente e Assistência ao Turista de Natal (DEMATUR), garantindo que os casos sejam devidamente investigados pelas autoridades competentes.

A temática dos maus-tratos vai além da crueldade individual, tornando-se uma questão de saúde pública. O supervisor da Aspan/RN alerta que muitos animais resgatados são portadores de zoonoses, doenças que podem ser transmitidas para humanos. A leishmaniose, transmitida pelo mosquito-palha, é particularmente preocupante: "A cada dez animais que a gente resgata aqui na ONG, oito são positivos para essa doença. Essa doença pode passar para a gente se não for tratada", enfatiza Vitor Emanuel, sublinhando o impacto que a negligência animal pode gerar na comunidade.

Apesar do aumento das políticas públicas de acolhimento, o cenário ainda está aquém do ideal. Um dos grandes desafios da ASPAN/RN é a adoção de cães adultos, que enfrentam maior resistência por parte dos interessados, seja pela preferência por filhotes ou pela percepção de custos elevados. "A cada ano que passo na ASPAN/RN, tenho visto que está cada vez mais difícil. Hoje até conseguimos [efetivar a adoção de] filhotes, mas é bem difícil sair", lamenta o supervisor.

Questionada pela TRIBUNA DO NORTE sobre as iniciativas de combate ao crime e as orientações para denúncia, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) informou que, em casos de maus-tratos, a população deve registrar o ocorrido com fotos e vídeos, agindo com cautela para evitar retaliações, e encaminhar a denúncia à Polícia Civil e aos órgãos ambientais. A colaboração da sociedade é fundamental para reverter este cenário e garantir um futuro mais digno para os animais potiguares.

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Comentários (1)

Valderi Junior
Valderi Junior
há 3 meses

E se der um passeio pelos bairros da zona oeste de Natal/RN, constarão que os casos de abandonos é maior ainda. Assusta a quantidade de animais vadios e doentes circulando nas ruas com doenças a mostra, rasgando os lixos.

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