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Custo de obras dispara no RN, diz IBGE: 4ª maior alta
Aumento de 1,22% no m² em abril afeta projetos, do financiamento à reforma, e desafia construtoras com margens apertadas.
A construção civil no Rio Grande do Norte registrou a quarta maior alta do país em abril, com um aumento de 1,22% em relação a março. Os dados, revelados nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), apontam para um cenário de pressão sobre o setor. Essa significativa elevação impacta diretamente o valor dos imóveis, o custo de reformas e a margem das construtoras, gerando incertezas para as famílias e para o desenvolvimento econômico do estado.
O percentual potiguar de 1,22% em abril posiciona o RN atrás apenas do Acre (+3,89%), Maranhão (+2,99%) e Rio de Janeiro (+1,83%), configurando a segunda maior variação regional. Contudo, no comparativo dos últimos 12 meses, o Rio Grande do Norte apresenta a menor variação acumulada do Nordeste (5,50%), mantendo-se abaixo da média nacional (7,01%) e regional (7,89%).
Apesar da alta mensal, o estado registra o quinto menor custo médio da construção civil do país, avaliado em R$ 1.808,67 por metro quadrado, superando apenas Pernambuco (R$ 1.722,48), Sergipe (R$ 1.724,27), Espírito Santo (R$ 1.761,23) e Alagoas (R$ 1.778,83). Desde o início de 2026, o custo do m² no RN acumula um crescimento de 3,38%.
Para o economista Helder Cavalcanti, a escalada dos custos está ligada a uma complexa combinação de fatores. Ele aponta para o reajuste de materiais essenciais como cimento, aço, cerâmica e componentes elétricos, somado à pressão salarial na construção civil, ao aumento dos custos logísticos e de combustíveis. A retomada gradual de obras e a consequente maior demanda por insumos, junto à persistente influência dos Juros elevados, completam o quadro de encarecimento.
Cavalcanti detalha que o setor da construção civil sente os efeitos indiretos do cenário macroeconômico nacional. "Juros altos encarecem crédito imobiliário, financiamento de obras e capital de giro das construtoras, o que acaba sendo incorporado ao preço final dos empreendimentos", explica o economista, ressaltando que o aumento mensal de 1,22% é expressivo e sinaliza uma contínua pressão inflacionária setorial.
Ele observa que, em estados como o Rio Grande do Norte, "qualquer elevação mais forte tende a chamar atenção porque o mercado local trabalha com margens mais apertadas e forte sensibilidade ao poder de compra das famílias".
Apesar do crescimento potiguar em abril ter superado o índice nacional (+0,72%) e regional (+0,98%), o custo do metro quadrado no RN permanece abaixo da média nacional (R$ 1.946,09) e da média da região Nordeste (R$ 1.828,03). Cavalcanti atribui essa competitividade regional a elementos como custos de terrenos mais baixos que em grandes capitais, um mercado consumidor de menor porte, um padrão construtivo mais enxuto e uma remuneração média da mão de obra mais contida.
Na prática, o economista prevê impactos graduais nos valores de imóveis e obras em andamento no estado. Os efeitos mais imediatos incluem o reajuste de imóveis na planta, o reequilíbrio de contratos de obras, a possível redução da margem de lucro das construtoras e o encarecimento de reformas e pequenas construções. "Porém, como o mercado potiguar ainda possui forte concorrência e renda média limitada, as empresas dificilmente conseguem repassar integralmente os aumentos ao consumidor. Em muitos casos, parte do impacto acaba sendo absorvida pelas próprias construtoras", pondera Cavalcanti.
Cenário mais amplo
Em âmbito nacional, o custo da construção por metro quadrado subiu de R$ 1.932,27 em março para R$ 1.946,09 em abril. Desse total, R$ 1.098,80 referem-se aos materiais e R$ 847,29 à mão de obra.
A parcela dos materiais registrou variação de 0,83% em abril, um aumento em relação a março (0,43%) e a abril do ano anterior (0,31%), com altas de 0,40 e 0,52 pontos percentuais, respectivamente.
Já a mão de obra apresentou taxa de 0,57%, um acréscimo de 0,26 ponto percentual frente a março (0,31%). Em comparação com abril de 2025 (0,68%), houve uma ligeira queda de 0,11 ponto percentual.
No acumulado de janeiro a abril, os materiais registraram alta de 1,90%, enquanto a mão de obra subiu 4,19%. Nos últimos doze meses, os acumulados foram de 4,99% para materiais e 9,77% para mão de obra.
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