LIBERDADE DE IMPRENSA

Edson Fachin leva ao plenário do STF decisões sobre sigilo de fonte

Plenário do Supremo Tribunal Federal durante sessão ministerial.
Plenário do Supremo Tribunal Federal durante sessão, com ministros e demais participantes no espaço de julgamento.

Presidente do Supremo busca colegialidade em investigação contra fonte de jornalista após operação autorizada por Alexandre de Moraes.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu submeter ao plenário da Corte as deliberações sobre investigações que envolvem o sigilo de fonte jornalística. A medida, anunciada nesta quinta-feira (13), visa assegurar a colegialidade nas decisões do Tribunal diante de uma apuração que impacta garantias fundamentais da imprensa.

O caso ganhou repercussão após o ministro Alexandre de Moraes autorizar, na terça-feira (11), uma operação de busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim. A ação atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF aponta Cutrim como fonte do jornalista Luís Pablo, investigado por suposta perseguição ao ministro Flávio Dino.

Em nota oficial, Edson Fachin reforçou que o STF mantém seu compromisso com a Constituição e com o sigilo profissional dos jornalistas. Para o presidente da Corte, a apuração de eventuais ilícitos não deve comprometer a atividade jornalística legítima. “A Presidência adotará as providências regimentais cabíveis para que essas deliberações ocorram com a brevidade que a matéria exige”, afirmou.

Enquanto Edson Fachin defende o debate coletivo, Alexandre de Moraes manteve sua posição durante a sessão plenária desta quinta-feira. O magistrado sustentou que as medidas adotadas foram embasadas em indícios concretos de autoria criminosa e enfatizou que o sigilo de fonte, embora seja uma garantia constitucional, não pode servir de proteção para a prática de atividades ilícitas.

A operação gerou reações imediatas de entidades como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Jornais e a Associação Nacional de Editores de Revistas. As organizações manifestaram preocupação com o risco de violação de sigilo e a criação de precedentes que afetem a liberdade de imprensa. Por sua vez, Luís Pablo classificou a investigação como uma tentativa de criminalização do exercício profissional.

Apesar da divergência sobre a condução das provas, houve convergência quanto à segurança institucional. Edson Fachin ressaltou que a Secretaria de Polícia Judicial do STF seguirá colaborando com as investigações para garantir a integridade física dos ministros, reconhecendo a necessidade de rigor na apuração de ameaças dirigidas a Flávio Dino e seus familiares.

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