GEOPOLÍTICA E LIDERANÇA
Javier Milei e a onda azul desafiam a liderança regional de Lula
Ascensão de governos de direita na América do Sul e embate direto com o presidente argentino dificultam o projeto de integração proposto pelo PT.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproxima do fim deste terceiro mandato distante de uma das prioridades do seu governo: a integração sul-americana. A estratégia de retomar o protagonismo regional esbarrou em divergências ideológicas e mudanças drásticas no cenário político do continente.
A busca pela união regional foi uma marca central do início do mandato, quando o petista reuniu chefes de Estado em Brasília para fortalecer mecanismos de cooperação. O encontro resultou no Consenso de Brasília, que visava construir uma agenda comum em áreas estratégicas. Contudo, essa tentativa de recolocar o Brasil no centro da articulação continental enfrenta agora a chamada Onda Azul.
Esse movimento de guinada à direita foi alavancado pela eleição de Javier Milei na Argentina em 2023. Desde então, o antagonismo entre Brasília e Buenos Aires não apenas trava a cooperação bilateral, mas impõe uma disputa pela liderança regional. Para Artur Ratc, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, os atritos entre os dois governantes são reflexos naturais da geopolítica, onde as relações institucionais acabam subordinadas aos perfis de cada liderança.
Atualmente, o cenário na América do Sul aponta que sete dos doze países são comandados por lideranças de direita, centro-direita ou extrema-direita. A mudança recente no tabuleiro político foi consolidada pelas vitórias de Keiko Fujimori no Peru, que derrotou o candidato da esquerda Roberto Sánchez, e de Abelardo de la Espriella na Colômbia, que superou Iván Cepeda.
A ascensão de Javier Milei, especificamente, tornou o projeto de integração insustentável na visão de especialistas, uma vez que a cooperação sem o apoio das duas maiores economias do continente perde força. Além do embate ideológico, o presidente argentino busca alinhar-se a figuras como Donald Trump, distanciando-se dos pilares de Lula. Essa grave crise diplomática expõe a fragilidade de uma região que, sem consenso, mostra-se mais vulnerável a crises internacionais.
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