ÁSIA REPERCUTE DECISÃO AMERICANA

China defende 'não interferência' após EUA designarem PCC e CV como terroristas

Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, falando em uma coletiva de imprensa.
Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em coletiva de imprensa.

Porta-voz da China, Mao Ning, reitera princípio de não ingerência em assuntos internos e critica ações dos EUA na América Latina e Caribe.

O regime chinês, por meio da porta-voz Mao Ning, afirma que o país defende o princípio de não interferência em assuntos internos. A declaração surge em resposta à recente decisão dos Estados Unidos de designar as organizações criminosas PCC (Primeiro Comando Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.

"A China defende o princípio de não interferência em assuntos internos", disse Mao nesta sexta-feira, 29/05/2026, ao ser questionada sobre o posicionamento de Pequim a respeito da medida americana.

A decisão de Washington foi anunciada na quinta-feira (28/05/2026). A ação ocorreu após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a Donald Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento de Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA.

Em seu perfil nas redes sociais, Rubio classificou as organizações criminosas como "as mais perigosas do Brasil", com alcance regional e impacto nos Estados Unidos. Ele assegurou que a administração Trump continuará a utilizar todas as ferramentas disponíveis para proteger os interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a grupos narcoterroristas.

Nos últimos meses, o governo Trump tem revisado as definições de narcoterrorismo e intensificado operações militares no exterior, com foco especial na América Latina contra organizações classificadas dessa forma. Essa estratégia incluiu uma operação em Caracas, na Venezuela, no início deste ano, que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Na ocasião, a China manifestou-se contra as intervenções americanas, reafirmando seu posicionamento em defesa da soberania dos países sempre que Washington realiza ações em outras nações. O Ministério das Relações Exteriores chinês chegou a instar Washington a garantir a segurança pessoal do casal e exigir sua libertação.

"A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe", declarou o Ministério na época.

Semelhantemente, na semana passada, o país asiático denunciou "abuso dos meios judiciais" após os EUA indiciarem o ex-líder cubano Raúl Castro pela derrubada de dois aviões em 1996. O porta-voz da pasta, Guo Jiakun, afirmou à imprensa que a China se opõe firmemente a sanções unilaterais ilegais, que carecem de fundamento no direito internacional, e ao abuso dos meios judiciais, bem como às pressões exercidas por forças externas contra Cuba sob qualquer pretexto.

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