BRASILEIRO CAPTURADO

Itamaraty confirma captura de brasileiro por forças russas na Ucrânia

Herik Ferreira Soares, brasileiro capturado na Ucrânia.
Brasileiro de Castanhal, no Pará, é capturado por militares russos na guerra da Ucrânia.

Jovem de Castanhal (PA) relata ter sido enganado por promessa de trabalho e levado para combate. Embaixada do Brasil em Moscou acompanha o caso.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou, nesta quarta-feira, 24/06/2026, o acompanhamento do caso do brasileiro Herik Ferreira Soares, de 23 anos, natural de Castanhal, no nordeste do Pará. Ele foi capturado por forças militares russas durante o conflito na Ucrânia.

Segundo o Itamaraty, a Embaixada do Brasil em Moscou está em contato com a família do jovem e busca informações junto às autoridades russas. A repercussão do caso ganhou força após a divulgação de um vídeo em que Herik aparece chorando e afirma ter sido enganado por uma promessa de trabalho.

Na gravação, ele relata que saiu do Brasil acreditando que faria uma função de apoio, longe da linha de frente, mas acabou sendo levado para o combate. "De uma propaganda mentirosa da Ucrânia vim parar na Ucrânia no intuito de um serviço na retaguarda, de trabalhar em um local seguro, e eles mentiram para mim", disse.

Herik detalha que foi enviado para um confronto intenso sem ter sido informado de que atuaria como combatente. Ele expressa arrependimento e aponta que estrangeiros seriam tratados como “descartáveis” nas tropas. O paraense pede perdão à mãe por não ter ouvido os conselhos da família e alerta outras pessoas para não aceitarem ofertas ligadas à guerra em busca de dinheiro, pois o pagamento prometido não compensa os riscos do conflito nem o sofrimento imposto às famílias.

O caso ocorre em meio a alertas feitos pelo governo brasileiro sobre recrutamento de cidadãos para guerras no exterior. Em fevereiro deste ano, o Itamaraty recomendou que brasileiros recusem convites para integrar forças estrangeiras ou aceitar ofertas de trabalho relacionadas a conflitos armados, destacando que alistados podem enfrentar dificuldades para deixar os combates e que a assistência consular pode ser limitada.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a atuação consular segue regras da legislação nacional e internacional e que não divulga informações pessoais de cidadãos. O órgão reiterou que mantém contato com a família do brasileiro e com as autoridades russas para obter mais detalhes sobre as condições em que Herik está detido e sobre tratativas para eventual repatriação. O caso segue sob acompanhamento da diplomacia brasileira.

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