ELEIÇÕES 2026

Quaest revela força de governadores na corrida eleitoral de 2026

Governadores e ex-governadores citados na pesquisa Quaest sobre eleições de 2026.
Governadores e ex-governadores têm suas aprovações e influências políticas mensuradas em pesquisa da Quaest.

Pesquisa de abril de 2026 da Quaest aponta cenário fragmentado em 11 estados, com parte do eleitorado buscando reeleição ou sucessão.

A pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, revelou um panorama eleitoral fragmentado em onze estados brasileiros, mostrando a complexa influência de governadores e ex-governadores nas próximas disputas estaduais. O estudo, referente à rodada de abril de 2026, foi decidido e executado pela Quaest para medir a percepção pública sobre a continuidade administrativa ou a busca por renovação, um dado crucial que molda o futuro político e as escolhas que afetarão diretamente a vida dos cidadãos.

Em estados onde os governadores ou ex-governadores recentes mantêm boa avaliação, cresce a percepção de que merecem a reeleição ou têm condições de transferir capital político a sucessores. Já em outras unidades da federação, prevalece o desejo de mudança total ou parcial, impondo desafios significativos aos grupos no poder.

O cenário varia de favoritismos consolidados, mesmo antes do início da campanha, como no Paraná, até disputas acirradas e indefinição em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, refletindo a dinâmica democrática em cada região.

Reeleição

Entre os pré-candidatos avaliados, Raquel Lyra (PSD-PE) aparece com o maior percentual de respostas indicando que merece ser reeleita: 57% dos entrevistados em Pernambuco. No entanto, ela enfrenta um cenário competitivo diante da força eleitoral de João Campos (PSB), que lidera simulações de segundo turno em diversos segmentos, mostrando a complexidade da escolha popular.

Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, houve um “movimento de melhora” na aprovação do governo de Raquel Lyra. “O ‘aprova’ saiu de 51% para 62% e o ‘desaprova’ saiu de 45% para 35%. Essa melhora inverteu a opinião dos pernambucanos sobre a governadora merecer mais um mandato. Em agosto de 2025, 54% diziam que ela não merecia um novo mandato; em abril de 2026, 57% dizem que ela merece se reeleger”, detalhou Nunes.

Em São Paulo, mais da metade do eleitorado (54%) afirma que Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) merece a reeleição, um dado que ressalta a importância da gestão para a continuidade política. Para 45%, Tarcísio de Freitas é o candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, os dados da Quaest mostram que o eleitorado paulista prefere majoritariamente um perfil independente para o próximo governador, sem alinhamento automático com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou com Bolsonaro.

Na Bahia, 51% dos entrevistados afirmam que Jerônimo Rodrigues (PT-BA) merece ser reeleito. O perfil preferido para o próximo governador é o de um aliado do presidente Lula. A disputa no estado está tecnicamente empatada no primeiro turno: em um dos principais cenários testados, ACM Neto (União Brasil) soma 41% das intenções de voto, contra 37% de Jerônimo, evidenciando uma escolha apertada para os eleitores.

No Ceará, Elmano de Freitas (PT-CE) registra um quadro semelhante, com metade do eleitorado favorável à reeleição e vantagem de nomes ligados ao PT em cenários de segundo turno. Contudo, a pesquisa indica que Camilo Santana (PT) se sairia melhor que Elmano contra Ciro Gomes (PSDB) numa disputa para o governo, adicionando uma camada de complexidade à estratégia política local.

Sucessão

Em sete estados avaliados, os eleitores foram questionados se o governador ou ex-governador recente merece eleger um sucessor. Os nomes testados foram: os governadores Eduardo Leite (PSD-RS) e Ratinho Júnior (PSD-PR) e os ex-governadores Cláudio Castro (PL-RJ), Helder Barbalho (MDB-PA), Renato Casagrande (PSB-ES), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União-GO).

Em Goiás, Ronaldo Caiado (União-GO) desponta como um dos nomes testados com maior capacidade de influenciar a sucessão: para 71% dos eleitores, ele merece eleger um sucessor. O estado combina desejo de continuidade com demanda moderada por ajustes, e o vice-governador Daniel Vilela (MDB) surge como principal herdeiro político do grupo governista, evidenciando uma transição com apoio popular.

Daniel Vilela é identificado por 37% da população como o candidato apoiado por Caiado. Embora o eleitor prefira um perfil independente (46%), a alta aprovação de Caiado (84%) blinda seu grupo político, garantindo uma base sólida para a continuidade administrativa.

No Paraná, Ratinho Júnior (PSD-PR) reúne 64% de apoio à ideia de eleger um sucessor. O resultado conversa com sua aprovação: 80% dos eleitores aprovam o governo de Ratinho Júnior. Além disso, 70% responderam que ele faz uma gestão ótima ou boa, refletindo a satisfação popular com a administração.

No Pará, Helder Barbalho (MDB-PA) também demonstra força: 56% avaliam que ele merece fazer o sucessor. Hana Ghassan (MDB), que foi vice-governadora e é a atual governadora, aparece como nome mais identificado com o governo de Barbalho; no entanto, ela está tecnicamente empatada no primeiro turno com Daniel Santos (Podemos), segundo os resultados da Quaest, indicando uma disputa acirrada.

“33% dos paraenses já sabem que ela [Hana Ghassan] é a candidata do governador. E o campo bolsonarista ainda não sabe quem é o candidato indicado. O que pode fazer a diferença é a vinculação nacional com o governo, já que só 17% associam Hana ao presidente Lula”, comenta Felipe Nunes, diretor da Quaest, apontando os desafios de comunicação e alinhamento político.

Nos estados em que o desgaste administrativo parece maior, a tendência é oposta. Em Minas Gerais, 49% dizem que Romeu Zema (Novo) não merece eleger um sucessor, enquanto cresce o desejo de mudança total. 52% dos eleitores de Minas Gerais aprovam o governo de Zema, enquanto 41% desaprovam. Outros 6% disseram não saber ou não responderam, revelando uma divisão clara na percepção popular.

No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ) enfrenta o cenário mais adverso entre os nomes avaliados: 53% rejeitam a continuidade de seu grupo político, e a avaliação de seu governo é considerada negativa para 36% e positiva para 23%. Além disso, seu governo tem 47% de desaprovação, sublinhando a insatisfação de parte da população.

No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD-RS) também encontra resistência, com mais eleitores contrários à sucessão governista do que favoráveis: 49% dizem que Leite não merece eleger um sucessor, contra 39% que acham que merece. O eleitorado gaúcho prefere um governador independente (45%), o que sugere um desejo por novas direções políticas.

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