FUTEBOL E VOTO
Presidenciáveis usam Copa do Mundo em estratégias de pré-campanha eleitoral
Lula lança jingle com apelo nacionalista e Flávio Bolsonaro responde com vídeo. Outros pré-candidatos adotam cautela com o tema.
A Copa do Mundo de 2026 e as eleições presidenciais, dois eventos de grande mobilização nacional, já se entrelaçam nas estratégias de pré-campanha de potenciais candidatos ao Planalto. Em um cenário político polarizado, com símbolos da Seleção Brasileira já associados a grupos específicos, as equipes de pré-candidatos buscam formas de incorporar o torneio às suas narrativas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já explora o torneio em suas redes sociais. O perfil “Lula pelo Brasil”, criado para mobilização digital, lançou um jingle com o lema “Lula joga pelo Brasil”. A música utiliza o futebol como pano de fundo para associar o esporte à identidade e soberania nacional, destacando bandeiras do governo como o fim da escala 6×1, CNH do Brasil, Desenrola Brasil, Gás do Povo e Agora Tem Especialistas. O Pix também é apresentado como elemento central, em um contexto de defesa da soberania nacional diante de críticas externas.
A estratégia do PT visa reforçar o discurso em defesa dos interesses nacionais e manter a ofensiva contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula no momento, associando-o a escândalos como o do Banco Master. Pesquisas indicam que Lula abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto a polarização entre os projetos de ambos os pré-candidatos se acentua, utilizando o sentimento de pertencimento e orgulho nacional que a Copa do Mundo desperta.
Em resposta, Flávio Bolsonaro também incorporou referências à Copa em vídeos de pré-campanha, respondendo ao jingle de Lula com o lema “Vem com fé”. O senador busca manter a associação dos símbolos verde e amarelo e da camisa da Seleção Brasileira ao bolsonarismo, afirmando que seu grupo “veste essa camisa a vida inteira”, em contraposição ao uso pontual por parte de Lula e do PT.
Outros pré-candidatos, como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), adotam uma postura mais cautelosa. Sua equipe considera oportunista explorar o tema da Copa, focando em suas propostas de segurança, saúde e dívidas para “curar o Brasil”. Caiado manterá sua agenda política, com poucas menções ao torneio, incluindo uma publicação com inteligência artificial associando sua trajetória a oitos títulos da Copa.
O líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão), também demonstra cautela, criticando o que considera tentativa do PT de se reapropriar dos símbolos nacionais. Ele sugere que Lula “dá azar” à Seleção, lembrando que o último título mundial foi em 2002, antes da primeira eleição do petista. Renan busca vincular a imagem de Lula à ideia de brasilidade, embora, em sua avaliação, o petista não represente esses valores.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pretende abordar o tema da Copa com moderação. Em sua estreia na Seleção Brasileira, Zema publicou um vídeo vestindo a camisa da equipe e criticando a gestão de Lula, exaltando o trabalho e a liberdade. Ele também comparou sua trajetória à de Lula, buscando associar-se à ideia de um “presidente empreendedor”, e fez referências a gols de Copas anteriores.
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